|
Necessidade
de reforma política é o maior consenso |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
13 de abril de 2008
|
|
ROMA Quando se pergunta
ao economista-chefe da Confederação das Indústrias
da Itália quais os problemas mais graves da economia, ele se põe
a falar de política. "O problema maior é a falta de
reformas, que por sua vez se deve à ingovernabilidade", diz
Luca Paolazzi. "Para recuperar a governabilidade, é preciso
fazer uma reforma política, que garanta uma maioria estável
no Parlamento." A necessidade da reforma
política é o maior - senão o único - consenso
da Itália, cuja ingovernabilidade é ilustrada por um dado
impressionante: os italianos elegerão, entre hoje e amanhã,
o seu 62º governo desde a 2ª Guerra Mundial. Isso dá
uma média de um governo por ano. O último, de Romano Prodi,
acabou depois de 20 meses, quando uma legenda que obtivera 1,4% dos votos
e três cadeiras no Senado retirou-se da coalizão de nove
partidos. O sistema tem um desenho
frankensteiniano, que privilegia a formação de grandes coalizões,
mas ao mesmo tempo as solapa, dando peso desmedido aos pequenos partidos.
Na Câmara, pelo menos, a formação de maioria é
garantida por um "prêmio" que assegura um mínimo
de 340 cadeiras à coalizão vencedora, do total de 630. Já
no Senado, a base de cálculo é regional (são 20 regiões).
Por isso ele é o foco da instabilidade - e da imprevisibilidade. Antonio Noto, diretor
da IPR Marketing, que realiza as pesquisas eleitorais para o jornal La
Repubblica, conta que sua equipe fez um exercício com a variação
de um ponto porcentual dos votos para o Senado - que está dentro
da margem de erro das sondagens. Constatou que esse ponto pode representar,
para a coalizão de Silvio Berlusconi, a diferença entre
ficar empatado com Walter Veltroni no Senado ou ter sobre ele uma folgada
maioria de 15 cadeiras. A última pesquisa da IPR, feita há
duas semanas, quando se encerrou o prazo legal para as sondagens, conferiu
vantagem de cinco pontos para O Povo da Liberdade, de Berlusconi. Segundo Noto, a abstenção
deverá manter-se dentro da margem histórica de 20% a 25%.
Mas as pesquisas indicaram que até um terço dos eleitores
italianos estava indeciso. As eleições se realizam sob um
clima de desilusão, depois de cinco anos de governo de Berlusconi
e dois de Prodi. Ambos primeiros-ministros pela segunda vez, eles não
conseguiram arrancar a Itália da estagnação econômica.
O eleitor se sente impotente diante desse sistema eleitoral tão
complexo. O voto é em lista, tornando ainda mais indireta a relação
entre a escolha do eleitor e resultado final. À pergunta
sobre se essa desilusão favorece a algum dos candidatos, tanto
Noto quanto Renato Mannheimer, do Instituto de Estudos da Opinião
Pública, respondem que não. "A desilusão geralmente
não é de esquerda nem de direita, mas transversal",
define Noto. Ao longo das últimas
semanas se especulou sobre a composição de uma "grande
coalizão" entre a centro-direita e a centro-esquerda. O analista
político Lucio Caracciolo considera isso pouco provável.
Ele acha mais plausível, em caso da falta de uma maioria convincente
no Parlamento, a formação de um "governo tecnocrata",
chefiado pelo presidente do Banco Central, Mario Draghi, conforme ventilado
até por Berlusconi. "Em qualquer caso, essa eleição
será transitória", prevê Caracciolo. "Não
teremos um governo de cinco anos." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
| Anterior |