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Itália
investiga tentativa da Máfia de fraudar votos vindos do exterior |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado,
12 de abril de 2008
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ROMA O ministro do Interior
da Itália, Giuliano Amato, disse ontem que estão sendo investigados
indícios de que um grupo mafioso da Calábria, no sul da
Itália, teria fraudado votos de italianos no exterior. Amato não
deu mais detalhes, alegando que as investigações correm
em sigilo, mas a agência de notícias Ansa informou que se
trata de 50 mil cédulas eleitorais vindas da América Latina,
alteradas em favor de um candidato siciliano, cujo nome não foi
revelado. "Espero que os
cônsules não percam as cédulas de vista, que as guardem
debaixo de suas camas até serem enviadas para a Itália em
vôos especiais", exortou Amato, citado pela agência Reuters.
"Acho que as medidas adotadas pelo Ministério das Relações
Exteriores devem evitar qualquer problema." Segundo o jornal Tempi,
uma cédula eleitoral é comprada por US$ 10 na América
do Sul, US$ 30 na América do Norte e quase US$ 100 na Europa. Uma matéria
carregada de ironia, intitulada "Greves, suspeitos e acusações",
publicada ontem no Corriere della Sera, começa contando que, em
Porto Alegre, por causa da greve dos Correios, o consulado italiano recebeu
pouco mais da metade das 20 mil cédulas eleitorais que esperava,
com base na votação de 2006. Na Venezuela, diz o texto,
como não confiam no correio, usaram uma empresa privada de entregas.
E na Argentina, como não confiam nem no correio nem no courrier,
entregaram o voto pessoalmente. A matéria cita
problemas mais graves. Na Filadélfia (EUA), um candidato a deputado
teria oferecido um jantar num restaurante elegante em troca de votos.
Em Berlim, outro candidato teria transformado o escritório do Patronato
(que oferece assistência aos cidadãos no exterior) em comitê
de campanha. "Só a
Itália tem colégios eleitorais no exterior", critica
Lucio Caracciolo, editor da revista Limes, especializada em geopolítica.
Segundo ele, é normal cidadãos no exterior poderem votar,
mas não terem seus próprios candidatos fora do país.
Doze dos 630 deputados e seis dos 315 senadores são eleitos no
exterior. Há 2,8 milhões
de italianos no exterior habilitados a votar na Câmara e 2,5 milhões
no Senado (a idade mínima é de 18 e de 25 anos, respectivamente),
espalhados por 6.990 seções eleitorais. É muito mais
que suficiente para decidir uma eleição na Itália.
No último pleito, em 2006, a centro-esquerda venceu na Câmara
por uma diferença de 24.755 votos e a centro-direita obteve 428.577
votos a mais no Senado. Só no Brasil, há cerca de 200 mil
eleitores. Na Itália, são 47 milhões para a Câmara
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