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Berlusconi
usa crise do lixo em Nápoles para atacar adversário |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
11 de abril de 2008
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ROMA O ex-primeiro-ministro
Silvio Berlusconi, líder da oposição de centro-direita
e candidato favorito nas eleições de domingo e de segunda-feira,
acusou ontem os seus adversários de centro-esquerda de terem manchado
a imagem da Itália no mundo, e o seu principal rival, o ex-prefeito
de Roma Walter Veltroni, de tentar esconder o seu passado comunista. No
encerramento de sua campanha no fim da tarde de ontem em Roma, Berlusconi
reuniu cerca de 6 mil pessoas ao lado do Coliseu e em frente ao Arco de
Constantino, um dos pontos de maior simbolismo da cidade. "A Itália
já não é mais percebida como o belo país da
arte e da cultura", lamentou Berlusconi, diante da platéia
de entusiasmados simpatizantes. "Mas como um país que não
é moderno, que não resolveu o problema elementar do lixo."
Berlusconi se referia à crise da coleta de lixo em Nápoles,
governada por Antonio Bassolino, da coalizão de centro-esquerda
de Veltroni e do ex-primeiro-ministro Romano Prodi, que renunciou em janeiro,
depois de perder a maioria no Senado. "Pensem no 'made
in Italy', em marcas como Dolce & Gabbani, na Armani, no vinho italiano",
enumerou Berlusconi, dramatizando os efeitos da crise que, de concreto,
afetou as vendas da mozzarela de búfala produzida na província.
A crise foi desencadeada por uma aparente falha de planejamento: os aterros
sanitários ficaram cheios sem que o governo providenciasse novos
destinos para o lixo, que está sendo exportado para a Alemanha.
A crise prejudicou a imagem da centro-esquerda. Na quarta-feira, numa
espécie de ato de desagravo, Veltroni havia visitado e abraçado
Bassolino: "Obrigado por tudo o que você fez." Berlusconi, magnata
da comunicação e um dos homens mais ricos da Itália,
tachou Veltroni de "senhor bravíssimo em comunicação",
que teria simulado um distanciamento dos comunistas, ao criar o Partido
Democrático (PD), novo nome da aliança de centro-esquerda.
Ao contrário de dois anos atrás, o líder comunista
Fausto Bertinotti se lançou separado da aliança. "Esse
PD não passa de uma tentativa de transformismo do Partido Comunista
de sempre", criticou Berlusconi, que também procura distanciar-se
de figuras com alto grau de rejeição, como o separatista
Umberto Bossi, da Liga do Norte, que exortou recentemente seus seguidores
a "pegar em fuzis contra a canalha centralista romana". Berlusconi voltou
a propor que os candidatos se submetessem a um "exame psiquiátrico".
"Não tenho problema em fazê-lo, porque sei quem eu sou:
Silvio Berlusconi", ironizou o candidato, arrancando risadas. "Já
Veltroni deve ter algum problema, porque não lembra meu nome e
continua a me chamar de 'o principal expoente da outra legenda', esqueceu
que foi comunista e critica o governo como se fosse de oposição."
Numa conversa com
os leitores do jornal Corriere della Sera, Veltroni justificou ter aderido
ao Partido Comunista por influência de personagens como os escritores
Ítalo Calvino e Alberto Moravia e o cineasta Pier Paolo Pasolini.
"Mas vivemos num tempo democrático, sem nenhuma das duas ditaduras,
o fascismo e o comunismo", sublinhou. Algumas das propostas de Veltroni
são consideradas liberais, como o corte de 0,5% do PIB nos gastos
públicos no primeiro ano de governo e de 2% no segundo e terceiro
anos somados. Diferentes pesquisas
dão vantagem de 5 a 9 pontos porcentuais de Berlusconi sobre Veltroni,
mas indicam também que um terço dos eleitores está
indeciso. "Vão, e convertam o povo", pediu Berlusconi
à platéia, rindo da própria dramaticidade, enquanto
alguns pingos de chuva começavam a cair. "Ah, já ia
me esquecendo: está chovendo, governo ladrão!" Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |