|
PT
engajou-se na campanha de Veltroni no Brasil |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira,
10 de abril de 2008
|
|
ROMA A aliança de
centro-esquerda liderada pelo ex-prefeito de Roma Walter Veltroni, que
disputa as eleições gerais na Itália no domingo e
na segunda-feira, contou com apoio importante do PT e do PPS durante a
campanha no Brasil, onde há 200 mil eleitores italianos. Foi o
que disse ontem ao Estado Luciano Vecchi, o diretor de Relações
Internacionais do Partido Democrático da Esquerda (PDS), que encabeça
a coalizão. "O PD (Partido
Democrático, nome da aliança) pôde fazer uma campanha
intensa no exterior graças ao apoio dos partidos nacionais",
disse Vecchi. "Em particular, no Brasil, o Partido dos Trabalhadores,
de Lula, e o PPS mobilizaram uma grandíssima campanha a favor do
voto no PD." À pergunta
sobre se não havia chegado uma mensagem do presidente Lula, Vecchi
respondeu: "É evidente que alguns presidentes preferem não
se envolver, por sua função constitucional, mas o apoio
é por meio da estrutura dos partidos, e confiamos que o resultado
das urnas será testemunha de nossa colaboração." Lula tinha programada
uma visita à Itália na terça-feira. Foi cancelada
depois que o governo do primeiro-ministro Romano Prodi, também
do PDS, caiu no início de fevereiro, por ter perdido sua estreita
maioria de três cadeiras no Senado. Em seus 20 meses de governo,
Prodi promoveu uma aproximação com o Brasil em particular
e a América Latina em geral, em contraste com o seu antecessor,
Silvio Berlusconi, que prioriza as relações com os Estados
Unidos e com a Europa. Líder de centro-direita, Berlusconi é
favorito nas eleições de domingo e segunda-feira, segundo
as pesquisas, com cinco a nove pontos de vantagem sobre Veltroni. "Se vencermos,
a América Latina continuará sendo uma das prioridades da
nossa política externa", garantiu ao Estado o eurodeputado
Lapo Pistelli, encarregado de política externa da coalizão
de centro-esquerda. "Manteremos nossa presença nos países
em que temos direta responsabilidade ou interesse, por motivos de emigração
ou geopolíticos." Pistelli criticou Berlusconi: "Durante
cinco anos, o líder do PDL (Partido da Liberdade) não botou
o pé na América Latina, onde vivem 30 milhões de
italianos. Ao contrário, nos últimos dois anos, se reconstruíram
pontes, com acordos importantes. As manifestações de apoio
que chegam dos países da América Latina são um reconhecimento
dessa mudança." Em março de
2006, logo depois de eleito, Prodi visitou o Brasil acompanhado de cerca
de 200 empresários italianos, liderados por Luca di Montezemolo,
presidente da Confederação das Indústrias da Itália
e principal executivo da Fiat e da Ferrari. A visita foi seguida, no ano
passado, de uma missão empresarial brasileira na Itália,
organizada pelas federações das indústrias de São
Paulo e de Minas Gerais. Depois foi a vez de a ministra-chefe da Casa
Civil, Dilma Roussef, visitar Roma, onde falou a cerca de 80 empresários
italianos sobre o Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC). Em termos relativos,
o intercâmbio comercial aumentou bastante entre 2005 e 2007, embora
o volume ainda seja modesto. As exportações brasileiras
para a Itália cresceram de US$ 3,2 bilhões para US$ 4,5
bilhões - ou 40%. Já as importações aumentaram
de € 1,6 bilhão (o dado foi divulgado em euros) para €
2,6 bilhões - 62%. "Estávamos
vivendo no governo Prodi variações importantes na política
externa em relação ao Brasil, com uma tentativa de retomar
as relações econômicas", diz o embaixador brasileiro
em Roma, Adhemar Bahadian. "Com a queda de Prodi, há um compasso
de espera, para ver que tipo de governo surgirá e que direção
se dará às relações. Na minha opinião,
a massa crítica criada nos últimos dois anos serviu para
mostrar que o abandono dos investimentos no Brasil foi um erro para a
Itália, que perdeu posição sobretudo para a Espanha."
O embaixador citou
o interesse da empresa italiana Italplan na construção do
trem-bala ligando São Paulo ao Rio, e uma possível cooperação
trilateral entre Brasil, Itália e um país africano para
a produção de etanol ou de biodiesel. Os países da
União Européia, incluindo a Itália, têm até
2020 para consumir pelo menos 10% de energia de fontes renováveis. Na avaliação
de Bahadian, a aproximação "não depende mais
de governo, porque os italianos se deram conta de que a associação
com o capitalismo brasileiro é uma das saídas possíveis
à estagnação econômica na Itália".
O embaixador arrematou: "Não acredito que a entrada de outro
governo suspenda esse processo." Segundo ele, Lula considera vir
ainda este ano à Itália, qualquer que seja o governo eleito.
Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |