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Desintegração
assusta iugoslavos |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
19 de janeiro de 1992
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De repente, o sentimento de que os croatas, sérvios e mulçumanos estavam mais seguros juntos do que separados, desapareceu. É assim que o editor croata Nenad Popovic, de 41 anos, descreve a explosão de forças centrífugas que alimenta a guerra na Iugoslávia. Em entrevistas ao Estado, Popovic, de Zagreb ·(capital da Croácia), a sérvia Biljana Lukic, de Belgrado (capital da Sérvia e da Iugoslávia), e o croata Ivan Lovrenovic, de Serajevo (capital da Bósnia-Herzegovina), descrevem a desintegração do país. Um sentimento de estupefação perpassa as declarações dos três. Biljana, 43 anos e tradutora de textos de literatura e antropologia (do francês para a língua sérvia), não entende como os sérvios querem criar uma república na Bósnia, se as comunidades sérvias estão espalhadas por todo seu território. O bósnio Lovrenovic, de 47 anos, escritor e jornalista, assegura que os grupos étnicos iugoslavos podem voltar a conviver em paz. Lovrenovic responsabiliza os governantes da Croácia e da Sérvia pela guerra, e acredita que a solução seria a democracia. Mas reconhece que o conflito em escala total se dirige para a Bósnia. Já Popovic, tradutor para o servo-croata de literatura alemã e francesa, não lamenta o fim da Iugoslávia: "Estou feliz com isso." Seguem as três entrevistas, feitas no momento em que a Comunidade Européia reconhecia na semana passada a Croácia e a Eslovênia, e estudava os pedidos de reconhecimento da Bósnia e da Macedônia. 'Reconhecimento não vai alterar situação militar' 'Não sabemos o que o Exército está fazendo' 'Há condições de se chegar a um acordo futuro' Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |