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'Não
sabemos o que o Exército está fazendo' |
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LOURIVAL SANTANNA |
Domingo,
19 de janeiro de 1992
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Para Biljana Lukic, a maioria dos sérvios é contra a guerra, apesar das preocupações com as minorias sérvias na Croácia e na Bósnia. Estado - Os sérvios
apóiam as ações do governo da Sérvia e do
Exército federal? Estado - O que a Sérvia tenta salvar: as minorias sérvias ou a Federação Iugoslava? Biljana - É uma questão complexa. A Sérvia insiste na Federação, porque nela os sérvios são mais numerosos e hegemônicos. Mas a preocupação com as comunidades sérvias na Croácia e na Bósnia sem dúvida alimenta a guerra. Estado - A minoria sérvia na Croácia estaria ameaçada com a independência da república? Biljana - Não sei dizer. Mas eles tinham razão de protestar quando iniciaram suas manifestações nas estradas da Croácia. Há na Croácia enclaves de maioria sérvia, onde as pessoas falam dialeto e têm uma cultura muito diferente. Esses sérvios estão totalmente excluídos da Croácia. Estado - E na Bósnia? Biljana - A situação me parece mais grave ainda na Bósnia. Lá há mais de 30% de sérvios, entre 18% e 20% de croatas e mais os muçulmanos e outros grupos, todos espalhados pela república. Agora, os sérvios proclamam sua república. Que república? Não consigo imaginar como esses grupos podem ser separados. Estado - Os fantasmas da 2ª Guerra - os massacres entre sérvios e croatas - alimentam o conflito atual? Biljana - Eu particularmente não convivo com esses fantasmas. Tenho amigos de todos os grupos étnicos, com quem convivo normalmente. Saio à noite, vou a restaurantes com croatas. Mas sei que o conflito se reflete nas relações entre outras pessoas. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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