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Palocci tenta desfazer
mal-estar no Japão |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado,
29 de maio de 2004
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TÓQUIO O anúncio da
visita de Lula à China ressuscitou a expressão "passar
sobre o Japão", usada durante o governo Clinton, quando o
presidente americano passou, literalmente, de avião sobre o país,
para ir à China. Lula tem viagem programada para Tóquio
no início do ano que vem. "O embaixador
(do Brasil em Tóquio, Ivan Cannabrava) tinha telefonado para mim
recentemente porque estávamos com uma dívida com o Japão,
não apenas por ter ido a outros países recentemente, mas
por não ter vindo aqui", disse Palocci, ao sair da reunião
com Tanigaki. "Acertamos ter
uma continuidade do relacionamento dos dois ministérios através
das nossas áreas externas", contou o ministro, salientando
que o seu secretário de Relações Externas, Luís
Pereira, trabalhou em Tóquio entre 1996 e 2000, no Ministério
das Finanças e no Banco do Japão. BOA IMPRESSÃO A palestra de uma
hora e meia, na sede do Banco do Japão para a Cooperação
Internacional (JBIC), causou boa impressão aos participantes ouvidos
pelo Estado. "Foi muito bom", disse Suyama Kenji, vice-diretor
de Estratégia de Indústria no Exterior da Prefeitura de
Gifu, no centro do Japão. "Com a eleição de
Lula, houve muito receio de que ele quisesse aumentar os salários
e os gastos públicos", confidenciou Kenji. "Mas não
há problema nenhum, a economia está melhorando muito, e
a comunidade financeira internacional reconhece isso." Ao fim da palestra,
Palocci brincou que seus secretários de Relações
Externas, Luís Pereira, e do Tesouro, Joaquim Levi, ali presentes,
teriam muito o que falar, porque são economistas, enquanto ele
é médico. Isso deixou Kenji intrigado. "O que ele fazia
antes?", perguntou ao repórter. "Sem estabilidade
não se pode fazer nada, mas, além disso, o Brasil precisa
reestruturar sua economia, com uma reforma tributária e previdenciária"
opinou Takuma Hatano, conselheiro corporativo da Mitsubishi. "Até
aqui, o Banco Central do Brasil tem feito um bom trabalho, mas é
preciso reativar o investimento, não só privado, mas também
do governo, em infra-estrutura", continuou Hatano. "O País
precisa se abrir e tornar-se uma economia orientada para a exportação.
Lula, como ex-sindicalista, é a pessoa certa para fazer isso." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |