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Ajuste deve durar
10 a 12 anos, diz Palocci |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado,
29 de maio de 2004
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TÓQUIO O Estado perguntou
ao ministro se ele considera politicamente sustentável a manutenção
do esforço por 10 a 12 anos, como ele havia defendido, durante
uma palestra a investidores japoneses, antes da reunião. "É
politicamente difícil", respondeu o ministro. "É
por isso que a tentação de não fazê-lo tem
convencido muitos governos brasileiros." "Espero que o
País, os seus políticos, o seu governo, o seus agentes econômicos
entendam que nós não podemos cair na tentação
de fazer esforço de curto prazo", exortou Palocci. "Um
país como o Brasil, que tem dívida grande, que é
um país continental, que tem muitos problemas estruturais, tem
que chegar à conclusão definitiva de que nós só
vamos resolver o nosso problema de crescimento se entendermos que precisamos
de esforço de longo prazo, e que o esforço traz resultado." O ministro observou
que muita gente pensa que ajustes fiscais tiram recursos da economia.
"É o contrário", disse ele. "Fazendo esforço
fiscal forte você garante recursos para a área econômica.
Se você não faz, a crise vem, aí você tem que
tirar recursos da área social." À pergunta
sobre se não há uma contradição entre os dados
de crescimento do PIB e de aumento do desemprego, que saltou de 12,8%
para 13,1% em abril, Palocci disse que não, por dois motivos: a
procura de empregos está aumentando, e é isso o que o IBGE
mede; e o dado se refere às regiões metropolitanas, enquanto
os empregos estão sendo gerados no interior. Durante a palestra
aos investidores, no Banco do Japão para a Cooperação
Internacional (JBIC), Palocci mostrou uma tabela segundo a qual, nos três
primeiros meses do ano, o número de vagas aumentou 2,90% nas regiões
metropolitanas e 4,32% no interior. Pela metodologia usada
em países como Estados Unidos e Japão, de anualização
do dado trimestral, o crescimento do PIB neste ano bateria em 6,4%, mas
o próprio ministro reconhece que "a retomada do crescimento
econômico nunca se dá de forma linear". Ele lembrou
que, no terceiro trimestre do ano passado, o crescimento foi de 0,5% e,
no quarto, de 1,5%. "Se o Brasil crescer 3,5% este ano, já
é mais do que a média dos últimos dez anos",
ponderou o ministro. "Lógico
que, se for maior, vai ser melhor para o Brasil, mas nossa preocupação
maior não é conseguir um pouquinho a mais de crescimento
neste ano, é conseguir que este seja o primeiro ano de uma série
de anos de crescimento", argumentou Palocci. "No fundo, a grande
questão que está colocada para o Brasil é essa: retomamos
o crescimento, e daí? E daí que precisamos continuar o esforço
fiscal por muitos anos e fazer a agenda microeconômica para que
a gente possa crescer nos anos seguintes." Um dos pontos dessa
agenda é uma política industrial focada em inovação
tecnológica. "Vamos detalhar cada medida que estamos tomando,
vamos olhar para cada setor como está evoluindo", disse ele.
O ministro citou também
a necessidade de mudança na legislação no setor de
moradia. Segundo ele, a construção de casas populares diminuiu
7,5% ao ano nas últimas duas décadas. "O mercado de
crédito para casas populares está baixíssimo",
disse ele. "Isso precisa ser revertido." Os ministérios
do Planejamento, Desenvolvimento, Trabalho e Previdência estão
estudando também a eliminação de todos os tributos,
com exceção do INSS, para empresas que faturam até
R$ 40 mil, durante um a dois anos. "Não cobrar esses impostos
não tem perda importante para o Estado", disse Palocci. "O
importante para nós é formalizar a relação
do trabalhador com o INSS." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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