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Jordanianos pedem liberdade
para mídia dos EUA |
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LOURIVAL SANTANNA |
Segunda-feira,
31 de março de 2003
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AMÃ - Os jornalistas jordanianos resolveram facilitar o trabalho daqueles que tentavam detectar sinais de repúdio aos Estados Unidos e de simpatia pelo Iraque na imprensa árabe. Cerca de 300 pessoas, entre jornalistas e estudantes, participaram ontem de uma manifestação contra a guerra e em apoio ao povo iraquiano, promovida pela Associação de Imprensa da Jordânia. Os jornalistas ocuparam a maior parte de uma das pistas da ampla Avenida da Imprensa, assim chamada porque ali estão as redações dos três grandes jornais jordanianos. A manifestação saiu da frente do prédio do jornal Ad-Dustour, passou pelo edifício do Al-Rai e terminou na sede do Arab al-Youm, onde o vice-presidente da Associação, Nabir Geshan, leu um manifesto contra a invasão americana. Uma das faixas exibidas dizia: "Liberdade para a mídia americana". Algumas pessoas levavam cartazes de Saddam Hussein, mas jornalistas jordanianos explicaram que a manifestação não era de apoio ao regime iraquiano. "Se Saddam cair ou for morto, haverá ocupação", explicou a jornalista Maha Sharif, do Ad-Dustour. "Não se trata de apoiar Saddam, mas um Iraque independente." "As crianças e as mulheres estão sofrendo, primeiro com as sanções, depois com essa guerra", disse Saha, que tem uma coluna de assuntos femininos. "É o povo que sempre paga o preço, não Saddam." Os manifestantes gritam: "Liberdade para o povo iraquiano" e "Queremos um Iraque árabe". Outro slogan dizia: "Não queremos mais ouvir sirenes de mísseis". E, num tom mais belicoso: "A cova de Bush o espera no Iraque". O protesto dos jornalistas reflete a posição oficial do governo jordaniano - que defende uma solução pacífica para o conflito, embora tenha permitido a entrada de tropas americanas com o pretexto de operar as baterias de mísseis antimísseis Patriot na fronteira com o Iraque, para interceptar eventuais mísseis iraquianos disparados contra Israel. O que não deixa de ser surpreendente: iniciativas dos jornalistas jordanianos sem o beneplácito do governo têm pouco futuro. Todos têm de prestar contas ao Ministério da Informação e à polícia por seus artigos. Às vezes, no sentido literal: muitos recebem "ajuda de custo" do governo. O protesto - acompanhado por policiais que se limitaram a controlar o trânsito - terminou sem incidentes. Praticamente todos os dias na Jordânia há manifestações - ou tentativas de - contra a guerra. A lei que levantou a proibição de manifestações, no início do ano, determina que elas devem ser previamente autorizadas. Quando são
autorizadas e não redundam em depredações, chegam
até o fim sem problemas com a polícia. Mas, se não
têm autorização, são rapidamente dispersas
pela polícia, a golpes de cassetete. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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