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Líbano
sofre com brigas dos outros |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira,
7 agosto de 2006
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EL-BIREH, VALE
DO BEKAA No pé da montanha, estão as agora famosas Fazendas de Shebaa, que a Síria doou para o Líbano, mas que estão ocupadas por Israel - um dos motivos alegados pelo Hezbollah para a operação que matou oito soldados e fez dois prisioneiros, em 12 de julho, desencadeando a avassaladora reação israelense. Ao lado, as Colinas do Golan, que legalmente continuam pertencendo à Síria, mas que Israel ocupa desde 1967. Presidente do Departamento dos Emigrantes, que promove intercâmbio cultural, no Vale do Bekaa, para filhos de libaneses no exterior (uma atividade obviamente suspensa), El-Khatib está desolado. O Líbano estava sendo reconstruído, tinha grande esperança de voltar a ser a Suíça do Oriente Médio, lembra o xeque, muçulmano sunita como todos os 3 mil habitantes da cidade de Khirbet Rouha, 85 quilômetros a leste de Beirute. Diante da sensível pergunta de quem é a culpa, El-Khatib, de 50 anos, que estudou teologia na Universidade de Medina (Arábia Saudita) e trabalhou no Centro Islâmico do Brasil, em Brasília, entre 1979 e 1991, começa falando do tradicional inimigo: O Estado de Israel foi criado pelos ingleses, em 1948, dentro de território árabe e muçulmano, e desde então a região vive em estado de guerra. Mas não é só, reconhece o xeque. O Líbano continua sofrendo com os acertos de contas de outros na sua terra, diz ele, numa referência implícita a intromissões como a do Irã e da Síria, que ocupou militarmente o Líbano entre 1990 e o ano passado, com presença ostensiva no Vale do Bekaa. Outra pergunta sensível: a guerra une o Líbano, historicamente fraturado por divisões confessionais? Depois da última guerra civil (1975-90), os libaneses procuraram viver como antigamente, como irmãos, lembra ele. Neste momento, vemos uma união maravilhosa. Sem reparar em divisões religiosas, uns estão abraçando os outros. Os que sofrem têm o apoio do restante da população. Os que sofrem são
maciçamente os xiitas, e esta região sunita, a cerca de
70 quilômetros do sul do Líbano, onde eles se concentram,
tem-lhes servido de refúgio, embora também esteja sob ataques
aéreos, mas em bem menor escala. Em Lala, 75 quilômetros a leste de Beirute, havia, antes de começar a guerra, 4.500 habitantes. Cerca de mil foram embora, mas outros 456 vieram do sul fugindo das bombas israelenses, dos quais 116 estão na escola da cidade e 340, em casas de parentes e amigos. Antes, 35% da população era brasileira. Cerca de 600 se foram, restando 10% de brasileiros na população local. Entre eles, está
o prefeito de Lala, o libanês naturalizado brasileiro Abdul Rahman
Omairi, de 66 anos. Omairi se instalou em Xanxerê, Rio Grande do
Sul, em 1962 e voltou para o Líbano em 1974, um ano antes de começar
a guerra civil. Montou loja em Zahle, capital do Bekaa, perdeu-a por causa
da guerra, voltou para Guarapuava (PR) em 1976, e finalmente retornou
a Lala em 1982 - quando começou a ocupação israelense
(que na região durou até 1985). Seu filho, Hussein, que estudou medicina em Vassouras, Rio de Janeiro, e fez residência em gastroenterologia no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, é um dos líderes da comunidade brasileira na região. Esta geração está presenciando uma guerra que não é deles, diz Hussein, cuja filha de 6 anos lhe perguntou outro dia por que o Hezbollah não tem aviões. "Infelizmente, paga-se o preço pelas besteiras dos governos libaneses, que deixaram que outros países entrassem e fizessem o que quisessem aqui. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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