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Exército de Israel
avança no Líbano |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
11 agosto de 2006
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BEIRUTE Os israelenses começaram
ontem mesmo a pôr em prática a ampliação da
ofensiva no Líbano, aprovada na quarta-feira pelo gabinete. Panfletos
foram despejados sobre Beirute, advertindo os moradores dos bairros xiitas
do sul da cidade a deixarem suas casas. Um navio de guerra israelense
disparou dois mísseis contra um farol de navegação
desativado, convertido em torre de transmissão e recepção,
usada pelo Exército e pela polícia libanesa. E tanques de
Israel entraram em Marjeyoun, no Sul do Líbano, ocupando a área
e detendo 350 policiais. Pelo menos um soldado israelense morreu e outro
ficou ferido. Os panfletos caíram
por volta de 14h. Às 18h, a polícia anunciou pelos meios
de comunicação que quem quisesse deixar o sul da cidade
deveria concentrar-se num cruzamento próximo a um quartel policial.
Um capitão da polícia disse ao Estado que estava prevista
a saída de 40 ônibus na noite de ontem e que, somando-se
as famílias que iam em seus carros, deveriam totalizar 2 mil pessoas.
Conforme iam enchendo, no início da noite, os ônibus já
iam saindo. Seu destino era a cidade de Trípoli, 40 quilômetros
ao norte, onde a polícia organizaria o alojamento em escolas e
centros comunitários. As cenas no embarque
eram tocantes, com famílias com bebês de colo, carregando
o que conseguiram tirar de suas casas, e aparência desolada e atordoada.
"Não faço idéia de para onde vou", disse
Jamal Samur, ao lado de seu carro abarrotado de pertences, da mulher e
do casal de filhos Nadder, de 11 anos, e Nur, de 7. Sua loja foi destruída
por um míssil israelense, mas a casa ainda está intacta.
"Não sabemos o que encontraremos quando voltarmos." O ataque contra a torre, no bairro de classe alta sunita de Koraitem, no oeste de Beirute, foi uma surpresa - a não ser pelas atividades aparentemente desenvolvidas ali. "Aquela torre estava cheia de equipamentos de recepção e transmissão", disse ao Estado um oficial do Exército. À pergunta sobre quem os estava utilizando, ele respondeu: "No Líbano, isso nunca se sabe." Mas o bairro em si
era considerado dos mais seguros. Em princípio, Israel não
gostaria de molestar sua abastada população sunita (a duas
quadras fica a casa do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, por exemplo),
assim como a cristã. Um policial e uma moradora ficaram feridos.
"Nunca pensei que fossem atacar aqui", disse Yasmine Araa, de
17 anos, cujo prédio dá de frente para a torre, e que viu
quando os dois mísseis a atingiram. "Se não batessem
na torre, eles cairiam aqui." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |