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Menino foi rezar. Ao voltar,
prédio tinha sumido |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
11 agosto de 2006
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BEIRUTE Na noite de segunda-feira,
Mostafa, de 10 anos, estava brincando com os vizinhos de sua idade, como
sempre fazia, no bairro de Chiyeh, no sul de Beirute. Ninguém sabe
o que deu nele, mas Mostafa resolveu interromper a brincadeira e ir fazer
a oração noturna na Mesquita Sher al-Hejesh, em frente ao
seu prédio. Alguns minutos depois, às 20h20, ouviu quatro
estrondos ensurdecedores e sentiu o chão tremer. Saiu à
porta da mesquita. E não acreditou no que viu. O prédio de
cinco andares onde até alguns minutos atrás brincava com
seus amigos tinha desaparecido. O fim de tarde de verão (quando
só anoitece depois das 21h) foi bruscamente interrompido. A rua
escureceu, coberta de fuligem. Seus amigos não existiam mais. Levado
com os irmãos e a mãe para casa de parentes longe dali,
Mostafa até hoje tem pesadelos. No edifício semidestruído
que fica entre o prédio onde o menino mora (também danificado)
e os escombros onde caíram os quatro mísseis, ainda há
brinquedos e livros infantis espalhados no chão. O prédio, assim
como toda a região de Dahye, onde se concentram os xiitas de Beirute,
estava com muito mais gente do que de costume, porque ali se abrigam muitas
famílias que vieram das áreas bombardeadas do Sul do Líbano
e do Vale do Bekaa. Foram retirados dos escombros 56 corpos. Outras 75
pessoas ficaram feridas. Na tarde de ontem, homens com máquinas
ainda reviravam os blocos de concreto à procura de uma mulher grávida.
Um cheiro de morte exala da cratera coberta de escombros. No momento da explosão,
o pai de Mostafa, Ali Fauazi, um taxista de 50 anos, estava conversando
com o filho Mohamad, de 17, na cozinha. Os dois foram projetados de onde
estavam sentados para o outro lado do cômodo. "Perdi quatro
amigos, da minha idade, que moravam no prédio", conta Mohamad,
o único que permanece no apartamento com o pai, para cuidar do
patrimônio. Alguns andares acima,
o carpinteiro Adnan Hamdar, de 65 anos, estava recebendo dez parentes
em seu apartamento. Todos foram jogados para o outro lado. Ninguém
teve ferimentos graves. Hamdar, que morou a vida toda ali, diz que conhecia
todos os moradores do prédio destruído. "Ninguém
era militante do Hezbollah", garante. "Eram empregados, feirantes,
alfaiates, pessoas pobres, que trabalhavam muito duro", disse ele,
enumerando as famílias: Rumaith, Vehbi, Nasreldin. Ali confirma que não
havia armas ou militantes do Hezbollah nas redondezas, mas demonstra grande
admiração por Hassan Nasrallah, o líder do grupo.
Sentado na cozinha - no mesmo lugar que os mísseis o encontraram
há quatro dias - ao lado de um pôster do líder xiita,
ele diz: "O Seyed (título dado a descendentes de Maomé)
Nasrallah é o orgulho da nação. O homem mais sincero
que a nação árabe já teve." E usa um
qualificativo que os árabes só empregam em caso de enorme
apreço: "Dej rassna", coroa da cabeça, ou seja,
o que há de mais precioso. Dahye, a área
sul de Beirute, é sem dúvida um reduto de Nasrallah, mas
ele não goza de unanimidade. "Onde estão os mujaheddin
(combatentes da jihad) nessa hora?", perguntava no fim da tarde de
ontem Sara Miqdat, uma jovem mãe de 16 anos, que se preparava para
subir no ônibus dos evacuados para Trípoli, atendendo ao
sinistro aviso de Israel. "A resistência não nos ajuda
em nada. Ficamos um mês no porão do prédio, e ninguém
veio nos perguntar se precisávamos de ajuda", disse Sara,
sem dinheiro até para o leite de sua filhinha de dois meses de
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