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Hezbollah aceita resolução
da ONU, mas continuará a luta |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
13 agosto de 2006
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BEIRUTE O líder do
Hezbollah, Hassan Nasrallah, deu ontem o seu aval à resolução
aprovada de madrugada (no horário libanês) pelo Conselho
de Segurança da ONU destinada a "cessar as hostilidades"
entre a milícia xiita e Israel. Em pronunciamento na televisão
libanesa pouco antes das 18h (12h em Brasília), Nasrallah garantiu
que o Hezbollah respeitará a resolução, apesar de
julgá-la "injusta e desequilibrada". Nasrallah disse que
o Hezbollah - que continua lançando foguetes contra Israel - não
cessará as hostilidades enquanto estiver sendo atacado. Pelo menos
até sexta-feira, a posição do governo israelense
- que continua bombardeando o Líbano e ontem triplicou seu efetivo
no Sul do país, de 10 mil para 30 mil homens - também era
essa. O círculo vicioso
tornou a resolução da ONU inócua. Entretanto, a versão
online do jornal israelense Haaretz informou ontem que Israel deve iniciar
um cessar-fogo às 7h (1h em Brasília) de amanhã.
O gabinete israelense se reúne hoje para decidir se aprova ou rejeita
a resolução da ONU. Pelo menos 19 civis
libaneses morreram ontem nos bombardeios israelenses e nos combates entre
Israel e o Hezbollah. O pior ataque ocorreu na aldeia de Rachaf, cerca
de 7 quilômetros a norte da fronteira com Israel, onde 15 civis
morreram. O
Exército israelense garantiu ter alvejado "o ponto exato"
do qual o Hezbollah disparou contra seus soldados. "É só
mais um exemplo do uso de civis como escudos humanos pelo Hezbollah",
declarou uma porta-voz israelense. Membros de uma equipe
de resgate citados pela Reuters disseram que uma mulher caminhou 15 quilômetros
escapando dos bombardeios, até uma aldeia perto de Tiro, mas eles
não puderam chegar até ela por causa dos ataques contínuos
a uma estrada ao longo da costa. Na sexta-feira, um
avião não-tripulado israelense disparou cinco mísseis
contra um comboio que partira de Marjeyoun, no Sul do Líbano, e
passava pelo Vale do Bekaa, em direção ao norte do país.
Cerca de 3 mil pessoas, em centenas de carros, participavam da retirada.
Sete pessoas morreram - incluindo um funcionário da Cruz Vermelha
- e 36 ficaram feridas. As autoridades israelenses
alegaram que não haviam dado permissão para o comboio. O
chefe da Cruz Vermelha libanesa, George Kettani, garantiu ontem, no entanto,
que havia pedido e recebido salvo-conduto para o comboio, com a rota pré-estabelecida. Mísseis israelenses
também atingiram ontem um carro na aldeia de Kharayeb, cerca de
50 quilômetros ao norte da fronteira com Israel, matando três
pessoas e ferindo cinco. O Exército
israelense ocupou ontem uma colina estratégica perto do Rio Litani,
no Sul do Líbano, depois de combates intensos com o Hezbollah,
informaram fontes policiais citadas pela France Presse. Os soldados israelenses
tomaram a aldeia de Ghanduriyé, 12 quilômetros a oeste da
fronteira com Israel. As autoridades israelenses
anunciaram ter matado 40 combatentes do Hezbollah nos combates de ontem,
e afirmaram que 30 israelenses ficaram feridos. Segundo Israel, 80 alvos
foram atingidos ontem no Líbano. Já o Hezbollah afirmou
ter matado 7 soldados israelenses e destruído 21 tanques. Um soldado
libanês também morreu, num ataque aéreo perto de uma
base do Exército no lado ocidental do Vale do Bekaa. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |