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Brasil não integrará
força de paz |
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SANTANNA Enviado especial |
Quarta-feira,
16 agosto de 2006
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BEIRUTE O ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, disse ontem em Beirute que uma participação
do Brasil na força de paz em formação para o Líbano
"não está sendo considerada agora". Viajando num
Hércules C-130 da Força Aérea Brasileira, Amorim
trouxe 9 toneladas de ajuda humanitária para o Líbano, das
quais 2,7 em medicamentos doados pelo governo e o restante, mantimentos
arrecadados pela comunidade de origem libanesa no Brasil. O chanceler brasileiro
foi recebido na Base Aérea do Aeroporto Rafic Hariri pelo seu colega
libanês, Fawzi Salloukh. De origem xiita e um dos três ministros
do Hezbollah no gabinete libanês, Salloukh fez questão de
mostrar a destruição causada pelos bombardeios israelense
no bairro de Haret Hreik, no sul de Beirute, onde o partido e milícia
tinha o seu quartel-general. Amorim ficou comovido de ver bandeiras brasileiras
e camisas da seleção no meio dos escombros, sinal do apreço
local pelo futebol brasileiro, mas também da presença de
brasileiros de origem libanesa. O chanceler se reuniu
separadamente com o presidente do Parlamento, o xiita Nabih Berri, com
o primeiro-ministro, o sunita Fuad Siniora, e com o presidente da República,
o cristão Émile Lahoud. Ouviu deles que o Líbano
está agradecido com o apoio - tanto político quanto humanitário
- dado pelo Brasil, e que eles têm consciência de que a trégua
em vigor desde segunda-feira é frágil, podendo ser rompida
por alguma provocação, ainda que involuntária. "Uma coisa é
o cessar-fogo, que naturalmente é importante, mas é preciso
também restabelecer o diálogo", disse Amorim, em entrevista,
antes de embarcar de volta. "O Brasil tem 8 milhões de descendentes
de libaneses e 2 milhões de sírios, mas também tem
uma comunidade judaica muito importante. Mantemos e queremos manter boas
relações com Israel. E desejamos quem sabe persuadi-los
também a retomar um processo de diálogo porque é
nisso que reside esperança." O embaixador extraordinário para o Oriente Médio, Afonso Celso Ouro Preto, que veio com Amorim, visita hoje integrantes do governo de Israel e da Autoridade Palestina. O Estado perguntou
a Amorim se o governo brasileiro não se desqualificou como mediador,
ao criticar Israel. "O Brasil não é crítico
de Israel, mas de certas ações, como também criticamos,
por exemplo, ações do Hezbollah quando seqüestrou (os
soldados israelenses), explicou Amorim. "Criticamos as ações
de Israel, sobretudo pela desproporcionalidade. Não podemos deixar
de condenar, e de maneira até mais veemente, porque é muito
mais chocante quando você vê 30 crianças mortas num
bombardeio." Em todo caso, "o
Brasil não tem nenhuma expectativa de ser 'o' mediador numa crise
dessa natureza", disse o chanceler. "Se desejarem uma mensagem
de paz, de diálogo, estaremos presentes. Se não houver esse
desejo, não podemos fazer nada." A trégua continuou
sendo amplamente obedecida ontem, tanto por Israel quanto pelo Hezbollah.
Numa grande marcha para o sul, milhares de libaneses continuaram ontem
voltando para suas casas - ou para aquilo a que elas se reduziram. Ao
mesmo tempo, tanques e soldados israelenses também rumavam de volta
para casa. Entretanto, tropas israelenses ainda mantêm sua presença
no Sul do Líbano, aguardando a chegada das forças da ONU
e do Exército libanês - que convocou ontem reservistas e
deve se deslocar para a região até o fim da semana. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |