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Das grutas cavadas na rocha
partem os Katiushas |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira,
17 agosto de 2006
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KABRIKHA, SUL DO LÍBANO É dali que
os combatentes do Hezbollah lançam os seus foguetes Katiucha, empurrando
as bases de lançamento para a boca das grutas, disparando e puxando-as
de volta para dentro. No fim da manhã de ontem, sob o ruído
contínuo do avião não-tripulado com o qual Israel
filma a área, além de um balão de monitoramento e
aviões sobrevoando a cidade, um combatente do Hezbollah caminhava
de volta para sua casa, sobre a encosta rochosa. Com um irmão e
quatro primos morando em Foz do Iguaçu, ele concordou em conceder
uma entrevista ao Estado, desde que seu nome e foto não fossem
publicados. "Sou dono dessa
terra, sou filho dessa cidade, e a defendo", começou o combatente,
de 45 anos de idade, sentado numa poltrona na sala-de-estar da casa. A
seu lado, um filho pré-adolescente e outro de 25 anos, que pousa
numa foto, pendurada na parede, ao lado do líder do Hezbollah,
Hassan Nasrallah. O repórter
pergunta se a guerra acabou. "Aqui, sempre tem guerra", responde
ele. "Pára um pouco, mas daqui a pouco começa de novo.
É assim desde 1948 (ano da fundação de Israel)."
Ele compara: "Se outro país invadir o Brasil e ficar ocupando
sua terra, sempre vai ter guerra. Israel ocupa terra libanesa, bombardeia
nossas casas. O que podemos fazer? Só a guerra." Num canto da sala,
está pendurado o retrato de seu irmão, morto em combate
com israelenses, em 1990. Num retrato menor, está seu pai, que
segundo ele foi preso pelos israelenses em 1993, interrogado e envenenado
com uma injeção, vindo morrer aqui, com as mãos e
a boca paralisadas. De acordo com o combatente, o pai se recusou a dar
informações sobre a resistência em Kabrikha. "Quem
vai esquecer isso?", pergunta ele. "Ninguém esquece o
que Israel faz." À pergunta
sobre se recebe um soldo fixo do Hezbollah, o combatente responde que
a organização fornece comida, hospital, escola e tudo mais
o que sua família necessite. Seu treinamento foi feito nos campos
ao redor, e os combatentes têm fuzis russos AK-47 e americanos M-16.
Ele garante que os soldados israelenses são "fracos"
na luta: "Nós estamos lutando na nossa terra. Por isso conhecemos
o terreno, e lutamos com toda nossa força. Além disso, Deus
nos ajuda. Tanto que os aviões destruíram muitas casas,
mas poucas pessoas se machucaram." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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