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Exército libanês
volta ao sul do país pela 1ª vez desde 1968 |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
18 agosto de 2006
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BEIRUTE Pela primeira vez
desde 1968, milhares de soldados atravessaram ontem o Rio Litani, para
estabelecer o domínio do Exército libanês sobre o
Sul do Líbano, conforme prevê a Resolução 1701,
aprovada há uma semana pelo Conselho de Segurança da ONU,
e que suspendeu os conflitos entre o grupo xiita Hezbollah e Israel. Depois de atravessar
o rio numa ponte improvisada, já que a outra foi destruída
por mísseis israelenses, dezenas de tanques, caminhões e
jipes começaram a chegar pela manhã ao Sul, sendo recebidos
com euforia por alguns moradores, sobretudo cristãos e sunitas,
que não viam o Exército libanês na região havia
quase 40 anos. No fim dos anos 60,
guerrilheiros palestinos estabeleceram suas bases no Sul - e uma espécie
de governo paralelo da Organização de Libertação
da Palestina -, de onde saíram apenas em 1982, expulsos pelo Exército
israelense. Foram imediatamente substituídos pelos grupos xiitas
libaneses Amal e Hezbollah. No caminho, as tropas
libanesas cruzaram os pórticos do Hezbollah nas entradas e saídas
dos vilarejos do Sul, que marcam o domínio do grupo. São
arcos de ferro ornados com fuzis e foguetes que exibem retratos do presidente
da Síria, Hafez Assad, do líder espiritual iraniano, Ali
Khamenei, e do líder da Revolução Islâmica
no Irã, Ruhollah Khomeini, além do líder do Hezbollah,
Hassan Nasrallah, e da bandeira do grupo. O Exército
pretende completar hoje o destacamento de 15 mil soldados no Sul. Eles
deverão se juntar a uma força multinacional de outros 15
mil soldados, ainda em fase de conformação, e com alguns
percalços para encontrar países dispostos a participar. A resolução
prevê que o Hezbollah seja desarmado, mas o governo libanês,
que aprovou o destacamento do Exército na quarta-feira, encontrou
um jeitinho de contornar a resistência do grupo, que ameaçava
minar todo o processo. O Exército não vai desarmar o Hezbollah,
mas seus combatentes vão se recolher, evitando serem vistos com
suas armas - algo que já era raro antes nos vilarejos do Sul, onde
o grupo não costumava ter presença militar ostensiva. Num eloqüente
discurso no Parlamento ontem, o deputado Saad Hariri, líder da
maioria e filho do primeiro-ministro Rafic Hariri, morto num atentado
no ano passado, responsabilizou Israel e a Síria pela destruição
do Líbano. Aplaudido de pé pelos deputados, Hariri disse
que Israel "vive do sangue" de palestinos, libaneses e outros
árabes. E acusou o presidente sírio, Bashar Assad, de tentar
semear a divisão no Líbano. A Síria, assim como o
Irã, apóia o Hezbollah, cuja captura de dois soldados israelenses
desencadeou o ataque de Israel, no dia 12 de julho. Na quarta-feira, depois
da decisão do governo de enviar os soldados para o Sul, o primeiro-ministro
Fuad Siniora, do mesmo grupo de Hariri, também fez um veemente
ataque às tentativas de manter o país dividido e à
existência de "Estados dentro do Estado". Sem mencionar
o Hezbollah, que participa do gabinete com três ministros, Siniora
garantiu, em pronunciamento à nação: "Haverá
um único Estado com um só poder. Não haverá
dupla autoridade." Porta-vozes do Hezbollah reafirmaram que o destacamento
do Exército no Sul é bem-vindo. Noutro sinal de uma
volta gradual à normalidade foram retomados ontem os vôos
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