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Hezbollah ajuda brasileira
viúva de combatente |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
20 agosto de 2006
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KABRIKHA, SUL DO LÍBANO No caminho de Beirute
para Kabrikha, Hassan Nasrallah, o líder do Hezbollah, faz um discurso
no CD tocado no carro: "Onde você estava em 1982?", pergunta
ele, referindo-se à invasão de Israel, que deu origem ao
Hezbollah. "No Brasil", responde Maria em árabe, e a
família ri. Quando se vai aproximando
de sua casa de veraneio em Kabrikha, no Sul do Líbano, Maria observa
incrédula a destruição: "Faz 12 anos que venho
aqui, e não estou reconhecendo esse lugar." Sua casa, no entanto,
da qual ela fugiu com os filhos no início dos bombardeios, ficou
praticamente intacta: só vidros quebrados, pelo impacto das explosões. Enquanto percorremos
os 120 quilômetros ao sul de Beirute, ela conta como veio parar
aqui. Maria Mafioletti Vitt conheceu Ibrahim Hijazi quando tinha 16 anos.
Como tantos moradores de Foz do Iguaçu, ela trabalhava numa galeria
em Ciudad del Este. Hijazi ajudava o irmão mais velho, Mohamad,
na loja da família, na mesma galeria. Descendente de alemães
e italianos, Maria se converteu em muçulmana xiita, casou-se e
mudou-se com Ibrahim para o seu Líbano natal. Seis meses depois
de chegarem ao país, no dia 22 de maio de 1994, Ibrahim partiu,
dizendo que ia estudar religião na Síria. Dez dias depois,
morreu num bombardeio israelense, num campo de treinamento do Hezbollah
nas montanhas de Baalbek, junto com 31 combatentes. O filho do casal,
Khalil, tinha então um ano de idade. Mohamad, que se estava separando,
pediu a cunhada viúva em casamento. Ela aceitou. Hoje, o casal
vive em Beirute com três filhos seus e outros dois dos casamentos
anteriores. Por ser filho de mártir,
Khalil recebe donativos de 12 padrinhos, que contribuem com US$ 50 a US$
200 cada um por mês. Quando completar 18 anos, poderá retirar
esse dinheiro. Será um rapaz rico. Os pais de Ibrahim, assim como
Maria e Khalil, têm acesso livre aos hospitais do Hezbollah, considerados
de primeira qualidade. Khalil freqüenta uma escola particular cuja
anuidade de US$ 1.300 é paga pela organização. Se
continuasse viúva, Maria receberia US$ 300 por mês; por ter-se
casado, recebe US$ 150. No Sul do Líbano,
em Dahye, região xiita de Beirute, e no Vale do Bekaa, integrantes
do Hezbollah percorrem as áreas destruídas para fazer relatórios
sobre o que precisa ser reconstruído e ajudar as famílias
desabrigadas. "O governo libanês vai embolsar o dinheiro da
ajuda dos países árabes, e quem vai realmente reconstruir
tudo é o Hezbollah", prevê Mohamad, que importa móveis
e portas de madeira de uma fábrica no Paraná, e pretende
obter contratos com a organização xiita. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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