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Em 1 mês se destruiu
metade do que se construiu em 12 anos |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
27 agosto de 2006
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BEIRUTE Somente no primeiro
trimestre deste ano, o Grupo Solidere, criado por Hariri, vendeu US$ 1,1
bilhão em terrenos para construção. Outros três
projetos em andamento somam investimentos de US$ 2,1 bilhões. A
pergunta, agora, é se e quando os investidores voltarão
ao Líbano. Nabil Itani, presidente
da Agência de Desenvolvimento do Investimento do Líbano,
e Marwan Barakat, pesquisador-chefe do Banco Audi, estiveram ouvindo-os
nos últimos dias, e obtiveram a mesma resposta: depende da implementação
da Resolução 1701. Aprovada pelo Conselho de Segurança
da ONU há duas semanas, ela instituiu a trégua, determinou
o desarmamento do Hezbollah, a mobilização do Exército
libanês e de uma força de paz no Sul do Líbano, e
a retirada israelense. "Definitivamente,
no curto prazo, a confiança do investidor está afetada",
admite Barakat, cujo banco é líder no Líbano em capital,
carteiras de investimentos e crédito. "Durante esse período
de implementação das medidas, a atitude dos investidores
será de esperar para ver." A previsão anterior de crescimento
de 5% da economia caiu para 0% com a guerra. Exatamente o mesmo aconteceu
no ano passado, por causa do assassinato de Hariri. A última vez
em que o Líbano cresceu foi 2004: 6%. Barakat aponta, no
entanto, alguns indicadores positivos: os empréstimos (a juros
baixos e prazos longos) oferecidos pelos países árabes já
superam os US$ 3,6 bilhões de danos estimados da guerra. Graças
aos investimentos e ao turismo antes da guerra, o primeiro semestre registrou
superávit de US$ 2,6 bilhões no balanço de pagamentos.
"O Solidere estava vendendo extraordinariamente bem, os hotéis
e restaurantes estavam lotados", recorda Barakat. "Isso tudo
acabou." Durante a guerra,
a taxa de juros manteve-se estável nos 7%, para uma inflação
anual de 2%. A conversão de liras libanesas em dólares,
no valor de US$ 2,4 bilhões, foi atenuada pela entrada de US$ 1
bilhão em ajuda vinda da Arábia Saudita e US$ 500 milhões
do Kuwait, além do colchão de US$ 13 bilhões em reservas
do Banco Central. A fuga de capitais foi de apenas 3,5% dos US$ 60 bilhões
em depósitos. "O sistema financeiro
inspira confiança", atesta Barakat. A condução
da economia também: o BC é independente e seu presidente,
Riad Salami, escolhido o melhor do mundo árabe pela revista Euromoney,
foi reeleito em 2004 para o terceiro mandato de cinco anos. Nabil Itani acrescenta
fatores fixos que atraem os investidores: a proteção do
sigilo bancário, que valeu ao Líbano a reputação
de "Suíça do Oriente Médio"; o tratamento
tributário igual para capital externo e interno; e, o mais importante,
segundo o executivo do governo, a estabilidade jurídica. "O
problema é a instabilidade política e a insegurança." Para o ano que vem,
ainda que o crescimento não seja de dois dígitos, como prevê
o ministro da Economia, Samir Haddad, será alto, acredita Barakat,
precisamente por causa da guerra. "A demanda na construção
civil impulsionará a economia, os gastos públicos e os empregos."
Antes da guerra, acrescenta o analista, o Líbano não tinha
condições políticas de mandar o Exército para
o Sul, como fez agora. "Isso ajuda a diminuir o risco político,
tanto em relação à fronteira com Israel quanto à
entrada de armas da Síria (para o Hezbollah)." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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