|
Milhares de sunitas levam
apoio a Siniora em Beirute |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira,
7 de dezembro de 2006
|
|
BEIRUTE Confinado há
cinco dias em um palácio cercado de barracas erguidas por seus
adversários, tanques de guerra e soldados do Exército, o
primeiro-ministro Fuad Siniora decidiu demonstrar ontem que não
está sozinho. Milhares de lideranças locais e simpatizantes
de várias partes do país fizeram uma romaria até
o Grand Serail, onde Siniora e 17 ministros estão abrigados desde
sexta-feira, quando o Hezbollah e seus aliados reuniram 800 mil manifestantes
em frente ao palácio, exigindo a renúncia do governo. Quem cava trincheiras
não quer a paz, disse Siniora, diante da platéia predominantemente
sunita, como ele. São os mesmos que correram para a guerra,
enquanto nós corremos para conseguir a paz, continuou o primeiro-ministro,
referindo-se ao conflito entre Israel e o Hezbollah, entre julho e agosto,
desencadeado pela captura de dois soldados israelenses pela milícia
xiita. O governo voltou a dizer que não atenderá as exigências
do Hezbollah, que se retirou do ministério e passou a exigir a
sua renúncia, depois de não obter poder de veto no gabinete. Nós concedemos
tudo, eles poderiam participar de todas as decisões, com exceção
de declarar guerra e a renúncia do governo, mas eles não
aceitaram, disse o ministro do Interior, Ahmad Fatfat. Eles
querem ter um terço mais um das cadeiras no gabinete (que garante
poder de veto), mas isso não vai acontecer. A representação
de um terço mais um só vai beneficiar a Síria e o
Irã, disse o líder druso Walid Jumblat, arquiinimigo
dos xiitas, numa referência aos dois países que apóiam
o Hezbollah. Jumblat conclamou o presidente do Parlamento, o xiita Nabih
Berri, cujo partido Amal é aliado do Hezbollah, a assumir
sua responsabilidade e levar o debate da rua para o Parlamento. O Hezbollah e seus
aliados não demonstram a menor intenção de seguir
esse conselho. De algumas dezenas, no fim de semana, as tendas montadas
pelo grupo nas duas praças perto do Grand Serail já somavam
ontem cerca de 600. Nas extremidades do acampamento, foram instalados
banheiros. Um general do Exército disse ao Estado que o
Hezbollah tem comida, água e logística para manter a vigília
durante meses. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |