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Exército e polícia
refletem divisões entre religiões |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
10 de dezembro de 2006
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BEIRUTE Só Alá
sabe. É assim que um general da polícia libanesa responde
à pergunta sobre quanto tempo levaria até que os 22 mil
homens das Forças de Segurança Interna (FSI) debandassem
para as milícias de seus respectivos grupos político-religiosos,
no caso de a atual crise transbordar para a violência. Pode
acontecer, como pode não acontecer. O contingente das
FSI é dividido seguindo o mesmo arranjo que compõe as cadeiras
do Parlamento: metade para cristãos e metade para muçulmanos
dos quais, 40% xiitas, 40% sunitas, 10% drusos e 10% alauítas.
Dizem que o diabo mora nos detalhes. Nos últimos dois anos, o governo
do primeiro-ministro Fuad Siniora investiu na ampliação
e aperfeiçoamento de forças especiais, que hoje reúnem
3 mil homens. No interior dessas forças, há uma unidade
de elite, composta de 500 policiais muito bem treinados e equipados. As
posições-chave são ocupadas por sunitas leais ao
primeiro-ministro. Preocupado com a correlação de forças,
o patriarca Nasrallah Sfeir pediu ao governo a inclusão de cristãos
maronitas nas forças especiais. Serão selecionados 400 cristãos
maronitas, de um total de mil que estão atualmente em treinamento. As Forças Armadas
obedecem à divisão demográfica oficialmente aceita:
entre 35% e 40% cristãos, 28% xiitas, 27% sunitas e cerca de 5%
a 10% divididos entre drusos e alauítas. O recrutamento para o
serviço militar obrigatório, um contingente de 10 mil homens,
segue essa proporção. Mas o ingresso de cristãos
no efetivo profissional de 40 mil homens tem sido reduzido desde o fim
da guerra civil, em 1990, quando o Exército se dividiu entre cristãos,
comandados pelo general Michel Aun, e sunitas, sob o general Samir Khatib
apoiado pela Síria. Os cristãos
e os sunitas estão fazendo o possível para manter o controle
sobre o governo, para o Exército e a polícia os defenderem
da Síria e do Irã, diz um chefe de inteligência
das Forças Libanesas (FL), milícia cristã maronita
que, como as outras, com exceção do Hezbollah, entregou
seu armamento pesado para o Exército no fim da guerra civil, mas
mantém armas leves, como fuzis, metralhadoras e granadas. Ele diz
que o líder das FL, Samir Geagea, pode mobilizar 7 mil homens,
porém despreparados, mal-armados e separados territorialmente.
Até 1991, as
unidades do Exército eram compostas por homens da mesma região,
mantendo-se fiéis a suas filiações políticas,
religiosas, tribais e familiares. O atual presidente Emile Lahoud, comandante
do Exército entre 1989 e 1998, desfez essa divisão e distribuiu
os militares por todo o território, misturando os diversos grupos.
Desde então, diz um general xiita, a coesão do Exército
foi testada várias vezes, quando enfrentou guerrilheiros palestinos,
em 1991; quando executou a ordem de prisão de Geagea, em 1994;
ou quando manteve a ordem nas manifestações pró e
anti-Síria, depois do assassinato do primeiro-ministro Rafic Hariri,
no ano passado. A maioria dos cristãos no Exército
respeita e ama Aun, reconhece, no entanto, o general xiita. Mas todos dizem que
uma guerra civil não interessa a ninguém. Além do
desequilíbrio entre as milícias cristãs e sunitas
e o Hezbollah que tem 30 mil homens bem treinados e equipados e
20 mil foguetes , outro fator de dissuasão é a mistura
das populações. Para haver uma guerra civil, é
preciso desenhar linhas divisórias entre os dois lados, observa
o general. Foi o que aconteceu na guerra entre cristãos e
muçulmanos. Hoje, isso não existe mais. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
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