Pró-sírios não puderam vetar tribunal internacional

LOURIVAL SANT’ANNA
Enviado especial
Domingo, 10 de dezembro de 2006

BEIRUTE

Até 1989, os poderes executivos se concentravam nas mãos do presidente da República, um cristão maronita. O Acordo de Taif, que pôs fim à guerra civil libanesa em 1990, deslocou esses poderes para o gabinete, chefiado por um sunita. Mas atribuiu ao presidente a nomeação de um terço mais um dos 25 ministros – e, com ela, o poder de veto no governo.

Nas eleições do ano passado, o bloco 14 de Março, vinculado a Rafic Hariri, o primeiro-ministro assassinado, obteve 55% das cadeiras do Parlamento e o 8 de Março, liderado pelo Hezbollah, os outros 45%. Formou-se um governo de coalizão, no qual o Hezbollah e a Amal indicaram cinco ministros. O presidente Emile Lahoud, como eles aliado da Síria, indicou outros quatro. O grupo garantiu o poder de veto. Aconteceu que três dos quatro ministros de Lahoud – inclusive um ex-genro – debandaram para o grupo do primeiro-ministro Fuad Siniora. O Hezbollah e Lahoud exigiram a troca desses ministros. Siniora tergiversou.

Em novembro, Siniora submeteu ao gabinete a criação do tribunal internacional. Incapazes de vetar o tribunal no gabinete, os seis ministros pró-sírios saíram do governo. O gabinete aprovou o tribunal e Lahoud o vetou. Só o Parlamento, no qual Siniora tem maioria, pode derrubar o veto presidencial. Para evitá-lo, o presidente do Parlamento, o xiita Nabih Berri, líder da Amal, não o convoca a se reunir, criando um vácuo institucional.

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