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Sob
protestos, Calderón e Fox dão início à transição |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira,
7 de setembro de 2006
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CIDADE DO MÉXICO Depois da reunião
com o candidato vencedor do seu Partido da Ação Nacional
(PAN), Fox anunciou que equipes do governo e de Calderón formarão
grupos de trabalho com tarefas como a de elaborar em conjunto a lei orçamentária
para 2007. Na noite de terça-feira, depois da rejeição,
pelo Tribunal Federal Eleitoral, do pedido de anulação da
eleição, Calderón - que venceu por apenas 0,56% dos
votos - propôs diálogo à oposição: "Aos
líderes políticos e sociais, digo que em mim encontrarão
a total disposição de resolver as discrepâncias que
nos separam." Anúncio publicado
ontem nos jornais mexicanos, assinado pelos quatro principais bispos da
Igreja católica, trazia um apelo semelhante: "É hora
de estender as pontes do diálogo, dos entendimentos e dos acordos
imprescindíveis para possibilitar a governabilidade e construírmos
um México mais justo." Num país profundamente católico,
nem a Igreja ficou a salvo da polarização no México.
A Catedral Metropolitana foi invadida, durante missas dominicais, por
militantes em vigília no centro histórico da Cidade do México,
acusando a cúpula da igreja de estar do lado de Calderón. "Nunca vou me
dobrar diante dos classistas, fascistas que hipocritamente aparentavam
ser gente de boa vontade", descartou López Obrador, no início
da noite de terça-feira, em seu discurso diário aos simpatizantes,
na Praça da Constituição (ou Zócalo), em frente
ao palácio do governo. A tensão aumenta conforme se aproxima
16 de setembro, o Dia da Independência do México. Nessa data
tradicionalmente se realiza a parada militar que desce justamente a Avenida
Reforma rumo à Praça Zócalo, o território
ocupado pelos manifestantes pró-López Obrador. Precisamente
nesse dia, a oposição pretende realizar a sua convenção.
Se as barracas ao
longo de cerca de dez quilômetros da Avenida Reforma tiverem de
ser desmanteladas e os centenas de manifestantes, retirados à força,
a tarefa deve caber ao Exército, já que a polícia
metropolitana, em princípio encarregada da ordem pública,
está subordinada ao Distrito Federal, controlado pelo Partido Revolucionário
Democrático, de López Obrador, que deixou o governo da capital
para concorrer à presidência. "Se vierem nos
bater, saímos", dizia ontem a vendedora ambulante María
Esther Flores Rubio, 45 anos, com um olhar cansado depois de mais de um
mês dormindo numa barraca da Assembléia de Bairros. Se todos
reagirão com a mesma resignação, é difícil
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