|
Partidários
de Obrador prometem resistir 'até o fim' |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira,
7 de setembro de 2006
|
|
CIDADE DO MÉXICO O repórter
do Estado observa que o executivo não tem pinta de guerrilheiro.
"Ah, não? Pois me dê uma arma e verá. Tiro essa
gravata e vou à luta." Ante o olhar incrédulo do repórter,
Santiago Ortiz, de 72 anos, o próximo na fila, apressa-se a confirmar:
"É verdade. Estamos dispostos a tudo." Ortiz, encanador,
foi funcionário federal, e recebe 1.500 pesos (US$ 136) de aposentadoria.
Paga exatamente isso de aluguel. "Não me sobra nada para o
feijão." Ele complementa a renda como vendedor ambulante. "Precisamos de
justiça neste país", afirma Arroyo, que trabalha numa
firma que importa corantes. "Andrés Manuel López Obrador
representa os interesses populares. Felipe Calderón é da
gente do dinheiro." A administradora Mónica Galindo, de 36
anos, interpreta: "Os da direita não queriam que cortassem
suas rendas, por isso não o deixaram ser presidente. Andrés
Manuel tem um ideal muito forte de ajudar os pobres." Não resta dúvida
de que muita gente gosta de López Obrador, mas rejeitar o resultado
da eleição e tentar criar um governo e uma assembléia
constituinte paralelos não é um caminho perigoso? "Claro
que é arriscado, mas voltar a aceitar de novo é deixar que
continuem esse faz-de-conta da democracia mexicana", responde Marta
Esteba, de 38 anos, que faz doutorado em ciência política
na Universidade Nacional Autônoma do México, e ontem distribuía
panfletos convidando para uma conferência sobre a Convenção
Nacional Democrática. Marta se referia à
eleição presidencial de 1988. "Cuauhtémoc Cárdenas
(do PRD) ganhou, e impuseram Carlos Salinas de Gortari (do PRI)",
disse ela. "Cuauhtémoc decidiu não fazer um movimento
social. De nada nos ajudou. Veio o governo corrupto de Salinas. Se não
enfrentarmos, o que vai ser do país? Não podemos ter medo
sempre. Nossa geração tem de assumir sua responsabilidade." Os cerca de dez quilômetros
ao longo dos quais se estendem as barracas do movimento pró-López
Obrador, na Avenida Reforma, uma das principais artérias da capital,
são como uma vitrine das ideologias de esquerda. "Revolucionário
é transformar nosso universo", ensina uma faixa com um astronauta
no espaço, do movimento larouchista, antiglobalização. "Estamos apoiando
o resgate da soberania nacional", diz Alex Balam, de 29 anos, que
deixou o curso de engenharia do petróleo quando constatou que o
setor estatal no México estava sofrendo desinvestimento e sendo
privatizado. "Não estamos investindo em maquinário
e tecnologia para deixarmos de ser um país de montadoras",
queixou-se Balam, um dos 15 militantes acampados nas barracas do movimento,
cujo guru, o americano Lyndon LaRouche, figurava ontem de uma teleconferência
transmitida via internet, sobre as mazelas da globalização. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
| Anterior |
|