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Obrador rejeita
proposta de diálogo |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sexta-feira,
8 de setembro de 2006
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CIDADE DO MÉXICO Durante entrevista
ontem de manhã para a imprensa estrangeira, Calderón, que
assume dia 1.º de dezembro, disse que convidará oposicionistas
para formar um governo de coalizão. "Para cruzar um abismo,
é preciso ter pontes", declarou o presidente eleito. "De
minha parte, as pontes sempre estarão lá, esperando o momento
em que meus adversários queiram atravessar." Recusando-se a aceitar
a derrota nas urnas e os apelos por um diálogo nacional, Andrés
Manuel López Obrador, o candidato da oposição à
presidência do México, está determinado a impedir
que o governo e as instituições funcionem normalmente. Na
sua última proeza, os militantes da frente de oposição
Pelo Bem de Todos ocuparam a frente do Tribunal Eleitoral, lançando
ovos e insultos contra os políticos e funcionários do governo
que se aventuraram entrar pela porta principal para assistir à
diplomação do presidente eleito, Felipe Calderón,
na quarta-feira. Para o próprio
Calderón poder chegar ao local, o Estado-Maior Presidencial teve
de organizar um esquema especial. Calderón desceu de helicóptero
num prédio vizinho, e de lá seguiu numa caminhonete, entrando
no Tribunal pela garagem. O Estado perguntou ontem ao chefe de
campanha do presidente eleito, Juan Camilo Mouriño, o que levou
Calderón a entrar dessa maneira no Tribunal. "Ele entrou de
acordo com o que determinou o Estado-Maior e o protocolo", desconversou
Mouriño. "Isso é tudo." A "assembléia
informativa" na qual López Obrador discursa para seus simpatizantes
todos os dias teve de ser adiada das 19h para as 20h30, por causa do que
se passou no Tribunal, segundo os organizadores, o que sugere que o líder
oposicionista teve um envolvimento pessoal na operação.
"O presidente marionete entrou pela porta de trás da história",
regozijou-se uma oradora no palanque, montado na Praça da Constituição,
em frente ao palácio do governo. "Os que não têm
razão, não têm o povo do seu lado, precisam usar força
e helicóptero", tripudiou López Obrador no seu discurso,
a cerca de 5 mil pessoas. O candidato, que perdeu
por uma diferença de apenas 233 mil votos (0,56%), acusa o governo
de ter fraudado a eleição. Agora, tentará reunir
1 milhão de pessoas numa "Convenção Nacional
Democrática" no dia 16, que fará as vezes de assembléia
constituinte e deverá lançar uma espécie de governo
paralelo. Na mesma "assembléia
informativa", os oradores festejaram uma ação da "resistência
civil pacífica" no canal de TV Televisa, em que jovens militantes
do movimento entraram num programa de auditório transmitido ao
vivo, na noite de terça-feira, e fizeram discursos a favor de López
Obrador. Os oposicionistas acusam a mídia mexicana de apoiar o
governo. Um funcionário
da emissora confirmou ao Estado que o incidente ocorreu, mas desmentiu
que a partir de agora o programa Otro Rollo (algo como Outro Papo) será
gravado. "Reforçamos as medidas de segurança." No dia 1.º, os
deputados da coalizão oposicionista impediram o presidente Vicente
Fox de apresentar o seu discurso anual de prestação de contas
ao Congresso e à nação, ocupando fisicamente a tribuna.
Fox - que também tem evitado o palácio, cujos arredores
estão ocupados pelos manifestantes há mais de um mês
- teve de fazê-lo da residência oficial. "O importante
é que tudo o que fazemos é legal", justifica López
Obrador, que, depois do incidente no Congresso, declarou aos jornalistas:
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