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López Obrador
radicaliza e perde apoio popular e partidário |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
10 de setembro de 2006
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CIDADE DO MÉXICO A eleição
de Vicente Fox, em 2000, rompeu o domínio caudilhesco - entre violento
e clientelista - de quase um século do Partido Revolucionário
Institucional (PRI), e pareceu dar início a uma era de democracia
e estabilidade. Seis anos depois, os pontos de interrogação
de Siqueiros voltam a assombrar a história mexicana. Depois de uma eleição
na qual os mexicanos se dividiram ao meio entre dois candidatos, separados
por apenas 233 mil votos, o derrotado rejeita o resultado e, com ele,
as instituições que o amparam, e coloca sua gente na rua
para parar o país, tentando desencadear uma revolução
para refundar a república. Uma vez convalidada a eleição
de Felipe Calderón pela Justiça eleitoral mexicana e pela
comunidade internacional, a pergunta que se faz agora é: até
que ponto Andrés Manuel López Obrador pode desestabilizar
o México? "Não muito",
aposta Luis Estrada, cientista político do Instituto Tecnológico
Autônomo do México. "Ele está ficando só."
Especialista em opinião pública, Estrada observa que as
quatro pesquisas feitas depois da eleição mostram que cerca
de um terço dos eleitores apoiam a "resistência civil
pacífica" contra o que os partidários de López
Obrador consideram violação de leis durante a campanha e
fraude na contagem dos votos. É uma perda significativa de apoio,
para quem tivera metade dos votos no dia 2 de julho. Segundo o especialista,
dos três grandes partidos mexicanos, o Partido da Revolução
Democrática (PRD), de López Obrador, é o que tem
menos eleitores cativos. "O voto em López Obrador não
é incondicional", avalia Estrada. "Seus eleitores não
têm vínculo forte com ele. Quando percebem que está
radical demais, soltam-se dele." O mesmo parece estar
ocorrendo com o próprio PRD, no qual López Obrador não
tem uma raiz tão firme: ele aderiu ao partido no fim dos anos 80,
vindo do PRI. Os congressistas do PRD, que lealmente atenderam ao desejo
de seu candidato e impediram fisicamente que Fox lesse seu discurso anual
de prestação de contas na Câmara dos Deputados, no
dia 1.º, dão sinais de fadiga e pragmatismo. Fizeram na quinta-feira
um acordo com os governistas para assegurar participação
no rodízio da presidência da Casa. A Convergência,
um dos três partidos da frente de oposição, não
aderiu a um boicote da sessão que conferiu a Calderón o
diploma de presidente eleito. "López Obrador se dirige a um
abismo terrível", conclui Estrada. Para o analista Benito
Nacif, há uma divergência de interesses entre López
Obrador e seu partido. "Depois da derrota eleitoral, o objetivo dele
continua o mesmo: a presidência", diz Nacif, colunista do jornal
Excelsior. "Para consegui-la, precisa manter a posição
de líder supremo do PRD. Sua principal preocupação
são as lideranças alternativas, que podem disputar a liderança
do partido." O grosso da "resistência"
é composto de vendedores ambulantes e taxistas informais - que
tiveram salvo-conduto da administração López Obrador
- e por aposentados que recebem cupons mensais de 700 pesos (US$ 63) para
despesas em supermercados. Some-se a isso uma parte da esquerda intelectualizada,
sobretudo das universidades públicas, que votou com ele e lhe permanece
fiel. Muitos dos críticos
de López Obrador compartilham suas preocupações com
a justiça social. "Ele tem um bom diagnóstico do país",
diz Martín Moreno. "Está equivocado na receita. A melhor
maneira de ajudar os pobres é criar empregos. Pois ele assustou
os empresários, que são os que geram empregos." López
Obrador, contrário à privatização e ao livre
comércio, chamou o empresariado mexicano - que financiou comerciais
de TV críticos a sua candidatura - de "parasitas" e "delinqüentes
de colarinho branco". Mas as ações
e a moeda se mantiveram estáveis, o fluxo de investimentos diretos
seguiu aumentando e a previsão de crescimento da economia este
ano foi revista para cima, superando os 4%. López Obrador, que
liderou as pesquisas por muito tempo, já estava "precificado",
ou seja, assimilado pelos mercados bem antes da eleição.
"Todo mundo já sabia que ele era um perigo", diz Estrada.
"O que mais ele pode fazer?" |