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Obrador recua para
evitar confronto |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Segunda-feira,
11 de setembro de 2006
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CIDADE DO MÉXICO Em sua "assembléia
informativa" na Praça da Constituição (também
chamada de Zócalo), em frente ao palácio presidencial, onde
reúne diariamente os seus simpatizantes, López Obrador "propôs"
- as decisões importantes são referendadas por aclamação
- que os cerca de 4 mil militantes levantem acampamento na noite de sexta
para sábado, para que o Exército possa fazer o seu desfile
na manhã do dia 16. Às 15h, os militantes voltarão
ao Zócalo, para realizar a sua "Convenção Nacional
Democrática", que lançará um governo paralelo
e uma assembléia constituinte. Segundo ele, há 500 mil "delegados"
credenciados para a convenção. O objetivo é chegar
a 1 milhão. "Vamos permitir
que o Exército mexicano leve a cabo o desfile militar como o programou
o Ministério da Defesa", disse López Obrador, a uma
multidão de cerca de 10 mil pessoas que lotou a praça durante
a manhã de ontem. "Respeitamos essa instituição
fundamental para a soberania nacional. E que nunca mais o Exército
seja usado para reprimir o povo que luta pelas idéias de liberdade,
justiça e democracia." Havia uma expectativa
quanto à decisão de López Obrador - de retirar-se
ou enfrentar as forças de segurança -, que definiria o rumo
do movimento. Ao anunciar o discurso do líder, a oradora que faz
as vezes de "âncora" no palanque resumiu a ansiedade:
"Estamos muito inquietos. Tivemos muitas dúvidas essa semana.
López Obrador está aqui para esclarecer." "Não é
fácil encontrar a saída", admitiu o líder oposicionista,
num discurso de 40 minutos. "Colocam-nos numa situação
muito complicada. Não só nos fraudam, mas nos deixam com
a responsabilidade: se o movimento se desborda, vão dizer que é
violento; se fica passivo, vão dizer que enfraqueceu, afrouxou." Na verdade, a ocupação
da Avenida Reforma, uma das principais artérias da capital, custou
caro aos oposicionistas. Segundo as pesquisas, depois da eleição,
o apoio a López Obrador caiu de metade dos eleitores para um terço.
O prejuízo causado nos setores de comércio e serviço
com a ocupação do centro da cidade é estimado em
7 bilhões de pesos (US$ 636 milhões), resultando na demissão
de milhares de pessoas. "Votei em López Obrador, mas não
votaria de novo", disse o motorista de táxi Gutiérrez
González. "Os políticos são todos iguais, só
pensam neles." López Obrador,
que segundo o resultado oficial perdeu a eleição por 233
mil votos (0,56%), exige a recontagem e se considera presidente eleito,
se encarregará de fazer o próprio "grito de independência",
na madrugada de sábado. A decisão foi tomada depois que
o porta-voz do presidente Vicente Fox confirmou que ele fará o
grito no palácio, diante do Zócalo, como reza a tradição.
Os simpatizantes de López Obrador, que ainda estarão no
local, deverão voltar as costas para Fox. Depois de anunciar
suas "propostas", López Obrador perguntou à multidão:
"Estão de acordo? Levantem as mãos." A maioria
levantou, e ele selou a decisão: "Aí fomos." A
assembléia foi encerrada com o hino nacional: "Mexicanos,
ao grito de guerra..." |