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Crise sanitária
fortalece Calderón |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
10 de maio de 2009
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CIDADE DO MÉXICO Pesquisa feita pelo Gabinete de Comunicação Estratégica mostra que os mexicanos aprovaram a conduta do presidente durante a epidemia. Numa escala de 0 a 10, Calderón recebeu a nota média de 7,1, seguido pelos governadores do Distrito Federal, Marcelo Ebrard, com 6,6, e do Estado do México, Enrique Peña Nieto, com 6,5. Apenas a Organização Mundial da Saúde (OMS) recebeu nota melhor do que o presidente: 7,3. Curiosamente, Ebrard, líder da corrente moderada do esquerdista Partido da Revolução Democrática (PRD), e Peña Nieto, do conservador Partido Revolucionário Institucional (PRI), deverão enfrentar o candidato do Partido da Ação Nacional (PAN), de Calderón, na eleição presidencial de 2012. "O governo saiu ganhando muito claramente", afirma o analista político Jorge Chabat, do Centro de Investigação e Docência Econômicas (Cide). "Calderón sai muito fortalecido. Ele é como aqueles times de futebol que jogam melhor com dez homens. É muito bom para gerenciar crises." Chabat lembra que Calderón ganhou a candidatura do PAN contra a vontade do então presidente Vicente Fox, do mesmo partido. Eleito, em julho de 2006, por uma margem de apenas 244 mil votos, num universo de 41,8 milhões (35,89% a 35,31%), enfrentou meses de confrontação de seu adversário, Andrés Manuel López Obrador, do PRD, que contestou o resultado e montou acampamento no centro da Cidade do México. Assim que assumiu, Calderón lançou uma guerra contra o narcotráfico, desencadeando uma onda de violência sem precedentes no país (mais informações nesta página). Sobreveio a crise financeira mundial, na qual o México é um dos países mais prejudicados por causa de sua dependência das exportações para os Estados Unidos, dos turistas americanos e das remessas de imigrantes mexicanos. Fora do México, o governo Calderón foi acusado de demorar para notificar a OMS da epidemia. Hoje se sabe que o primeiro caso da gripe suína no país surgiu em 10 de março; as três primeiras mortes, em 11 de abril. Mesmo assim, o alerta epidemiológico só foi feito no dia 23. Entretanto, no México, a discussão foi na direção contrária. A tendência de uma parte da população foi subestimar a gravidade da epidemia e acreditar que o governo, principalmente o do Distrito Federal, estava sendo excessivamente drástico, ao proibir bares e restaurantes de atender às mesas, restringindo-os às entregas em domicílio. O governador Ebrard foi acusado de seguir pretensões eleitorais. Depois de sete décadas governados pelo PRI (entre 1929 e 2000), que imprimiu no Estado as marcas da corrupção e da manipulação política, os mexicanos têm a desconfiança escrita em seu código genético. A mesma pesquisa indica que 43,8% dos entrevistados não acreditam no surto da gripe suína. Dos 56,2% que acreditam, quase a metade (48,6%) acha que ele é ainda mais grave do que admitiram as autoridades. Feitas as contas, 7 em cada 10 mexicanos não acreditam no governo no que se refere à gripe suína - quatro porque ela não existe e três porque ela é pior. CONFIANÇA No balanço dessas percepções, a atitude firme de Calderón - que mandou fechar escolas, estádios, igrejas e outras aglomerações de pessoas - é mais bem aceita que a conduta drástica de Ebrard, que agravou a sensação de isolamento dos moradores do Distrito Federal. "Aqui, sempre se dá preferência às versões conspiratórias, mas as pessoas em geral sabem que alguma coisa aconteceu", diz o americano Jeffrey Weldon, diretor do Departamento de Ciência Política do Instituto Tecnológico Autônomo do México (Itam). "Uma epidemia é como um terremoto", compara Weldon. "As pessoas não culpam o governo por ela, mas observam sua reação. Nesse caso, provavelmente vão dar crédito ao governo, porque ele reagiu com suficiente rapidez." Weldon considera o desempenho na gestão da epidemia o maior trunfo para as eleições legislativas: "É difícil que o governo tenha êxito mensurável até julho no combate ao narcotráfico e a crise econômica deve durar até o fim do ano." O PAN goza de maioria simples na Câmara dos Deputados (206 das 500 cadeiras) e no Senado (52 das 128). A última pesquisa, feita pela Consulta Mitofsky dias antes da epidemia, indica vantagem do PRI, com 31,4%, sobre o PAN, com 26,2%. Entre março e abril, no entanto, o PRI perdeu um ponto porcentual. Chabat prevê que a diferença continuará diminuindo e considera o quadro para julho ainda indefinido. De qualquer maneira, ganhando o PAN ou o PRI, nenhum dos dois terá maioria absoluta. Continuarão tendo de negociar entre si para aprovar leis, como fazem hoje. Quem mais perde é
a esquerda em geral e López Obrador, em particular, que chegou
a dizer na quarta-feira que "não há nenhum problema"
sanitário no país. Sua corrente radical tornou-se minoritária
no PRD. O partido, que teve 29% dos votos nas eleições legislativas
de 2006, conta agora com 14,8%, segundo a pesquisa. |