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Narcotráfico
mata mais que epidemia |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
10 de maio de 2009
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TIJUANA, MÉXICO Diante da incapacidade e da corrupção nas polícias municipais e estaduais, Calderón mobilizou 47 mil militares e 8 mil policiais federais para combater o narcotráfico. Seu governo tem-se vangloriado de uma queda de 70% na violência nos primeiros quatro meses deste ano, mas os especialistas contestam esse número. "A cifra é muito enganosa, porque compara com o mesmo período do ano passado, que foi excepcionalmente violento", diz Victor Clark, diretor do Centro Binacional de Direitos Humanos, em Tijuana, na fronteira com a Califórnia. "Comparando com 2007, que esteve nos níveis históricos, não variou." Segundo José María Ramos, pesquisador do Colégio da Fronteira Norte, em todo o ano passado, ocorreram cerca de 6 mil assassinatos relacionados ao narcotráfico no país, enquanto nos quatro primeiros meses deste ano foram 1.200. Ramos diz que 80% dessas mortes são de pessoas diretamente envolvidas com o crime - sejam traficantes ou policiais que trabalham para eles -, em disputas de território e de mercado ou cobranças de dívidas. Os outros 20% são policiais e militares em confronto com os bandidos. E há os inocentes, mortos sobretudo em ações do Exército. Em termos qualitativos, a situação se deteriorou com Calderón. Os sete cartéis diversificaram suas atividades, passando a sequestrar, a extorquir empresários e a obrigá-los a vender-lhes seus negócios, ao estilo da máfia italiana. Há relatos de empresários obrigados a pagar US$ 10 mil por mês. Outros falam em 25 mil pesos (US$ 2 mil), dependendo do tamanho e da natureza do negócio. O México tornou-se
o centro de distribuição de drogas do continente - um negócio
de US$ 25 bilhões ao ano. Entrega 80% da cocaína (vinda
da Colômbia) e da maconha (produção local) consumidas
nos EUA, que, por sua vez, fornecem 90% das armas usadas pelo crime organizado.
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