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Na fronteira com
os EUA, pouco mudou |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quarta-feira,
6 de maio de 2009
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SAN DIEGO Foi o que aconteceu,
na manhã de segunda-feira, com o pintor Willy Martínez,
de 48 anos, cidadão americano nascido em El Salvador. Os funcionários
o viram cobrindo a boca para tossir. Martínez explicou que tinha
sido assaltado em Tijuana, e os ladrões puxaram um colar do seu
pescoço, ferindo sua garganta. Os bandidos tinham levado também
os documentos de Martínez, mas os funcionários confirmaram
pelo computador que ele era cidadão americano e o deixaram passar. A grande maioria dos
pedestres e carros, no entanto, continua atravessando normalmente, mostrando
um documento fornecido pela Imigração ou o passaporte com
visto americano. Os carros trazem um aparelho de identificação,
reconhecido por um detector do posto de fronteira. Os funcionários
averiguam o documento do motorista e o deixam passar. Muitos trabalham
em San Diego, nos Estados Unidos, e moram em Tijuana, no México,
e vão e vêm diariamente. "Continua tudo
igual", diz o despachante Cristian Mesa, de 22 anos, que trabalha
com legalização de carros importados, e atravessa a fronteira
quase todos os dias. "Tinham dito que havia uma epidemia, mas aqui
não há nada." Mesa garante que, apesar de ele morar
no México, o epicentro da epidemia, do lado americano, nada mudou.
"Não tem feito diferença nenhuma nos Estados Unidos.
As pessoas nos tratam igual." María Luisa
Sayas, de 38 anos, mora há 8 em Chula Vista, San Diego, e atravessa
para o lado mexicano de duas a três vezes por semana, para visitar
o neto e a nora, que ainda não tem visto para os EUA. "Não
mudou nada para mim", diz María Luisa, casada com um açougueiro
mexicano. Ela tem filhos de 21, 18, 4 e 2 anos, e afirma que eles também
não têm tido problemas de convívio com os americanos. De pé no bonde
de San Ysidro para San Diego, Carolina López segura seu bebê
de sete meses no colo, enquanto ele baba e brinca de lançar a saliva
o mais longe possível, vibrando a língua e os lábios.
"Vim buscar um remédio para ele, porque está com febre",
explica Carolina, que mora em Tijuana. "Ele nasceu aqui nos Estados
Unidos, e tem direito ao remédio grátis." Ninguém
no bonde usa máscara. "A reação
mais espetacular à epidemia foi a do governo mexicano", diz
o sociólogo Jorge Riquelme, diretor do Bay Side Community Center,
entidade de assistência a imigrantes em San Diego. "Aqui, uma
escola só é fechada, por duas semanas, quando aparece um
caso da doença, em geral numa criança mexicana ou que esteve
no México." No México, todas as escolas estão
fechadas há duas semanas. No ensino fundamental e médio,
as aulas recomeçarão na segunda-feira; nas universidades,
amanhã. Riquelme confirma
que os imigrantes mexicanos não se queixam de discriminação
relacionada com a epidemia. "Aqui, não vi nenhuma declaração
pública de que os mexicanos estão sendo discriminados por
causa do vírus", disse ele. "O que vi foram rumores na
imprensa mexicana." A secretária
de Segurança Pública dos Estados Unidos, Janet Napolitano,
descartou a possibilidade de bloquear a entrada dos mexicanos. "O
que os cientistas nos têm dito unanimemente é que fechar
a fronteira nessas circunstâncias não tem sentido, porque
a doença já está disseminada", disse a secretária,
referindo-se aos 226 casos confirmados até segunda-feira nos Estados
Unidos, com a morte de uma criança mexicana de 23 meses no Texas. Do lado mexicano da
fronteira, os moradores de Tijuana, maior cidade do Estado da Baixa Califórnia,
com 1,4 milhão de habitantes, não levaram a sério
os alertas do governo. Ao contrário da Cidade do México,
onde os bares e restaurantes serão reabertos hoje, eles não
foram fechados, e praticamente ninguém usa máscaras nas
ruas. A epidemia foi apelidada de "VIP", iniciais de "Vírus
da Influenza Porcina" (suína). O Estado registrou
apenas 11 dos 727 casos confirmados até segunda-feira no México,
e nenhuma morte. Mas o trânsito na fronteira não é
apenas local. Calcula-se que 30 mil pessoas cheguem a Tijuana por ano
para entrar nos Estados Unidos - legal ou ilegalmente. San Diego tem dez
casos confirmados. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |