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Em 11 dias, mulher
perde 1 filha e 1 neto |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Terça-feira,
5 de maio de 2009
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CIDADE DO MÉXICO Viviana, de 23 anos,
a mais nova dos nove filhos de Amada, começou a ter febre de 40
graus, muita dor de cabeça, tosse, dor no peito e ânsia de
vômito no dia 10, Sexta-feira da Paixão. Amada telefonou
para uma médica para a qual trabalha. Ela receitou penicilina.
Viviana continuou a piorar. Dois dias depois,
Pedro Gilberto, de 26 anos, neto de Amada, que a criou, começou
a ter os mesmos sintomas que Viviana. Mas só no dia 23, horas antes
de o governo anunciar a epidemia da gripe suína, quando começou
a excretar catarro com sangue e seus lábios e unhas ficaram roxos,
foi levado ao Hospital de Balbuena, que o internou de imediato. Pedro
já não podia andar. Seu primeiro diagnóstico
foi pneumonia. Depois, mudou para enfisema pulmonar e problemas cardíacos.
Pedro foi medicado com o antibiótico tamiflu. Mas também
não resistiu, e morreu no dia 26. Com a epidemia já conhecida,
a família foi orientada a cremar o corpo, e a jogar fora colchões,
lençóis, roupas e objetos pessoais com os quais Viviana
e Pedro tiveram contato. Até hoje, continuam amontoados no quintal
da casa. Mariano, de 41 anos,
foi levado no mesmo dia que Pedro para a Clínica 8 do Instituto
Mexicano do Seguro Social. "Os pulmões dele estão muito
mal", conta sua mulher, Rosario, que o visita todos os dias. "Ele
está com máscara de oxigênio." Segundo Rosario,
seu marido está sendo bem atendido, sobretudo depois que a tragédia
da família foi noticiada por uma emissora de rádio. Mecânico, ele
sustenta a casa com o seu salário mínimo de 1.200 pesos
(R$ 200). Seu irmão Eduardo, de 30 anos, também mecânico,
está desempregado. Amada ganha 150 pesos (R$ 25) por dia como diarista,
mas, assim como os outros na casa, não pode sair para trabalhar.
Os vizinhos têm mandado cloro, sabão, feijão, arroz,
ovo e açúcar. "A única coisa que peço
é que cuidem bem do meu Mariano e que ele volte logo para casa",
diz Amada, perto da coroa de flores e da cruz usadas no velório
de Pedro. A história
da família de Amada, de idas e vindas a hospitais públicos
e mortes mal explicadas com os sintomas da gripe suína, repetiu-se
em muitos lugares no México. Essas histórias sugerem pelo
menos duas coisas: a precariedade do sistema público de saúde
contribuiu para o número de mortes no México, considerado
o epicentro mundial da epidemia; e a possibilidade de uma brutal subnotificação
contida nas 19 mortes confirmadas pela nova doença. Na manhã de
ontem, uma equipe com um médico, um dentista, uma enfermeira e
um agente de saúde, do programa federal Caravanas da Saúde,
foi à casa de Amada, para examinar e colher amostras de mucosa
de todos os membros da família. Vários deles têm tido
tosse, dores no corpo e febre. Depois da visita, a equipe foi dar orientações
aos vizinhos. Há 110 equipes
como essa no México. Até sábado, haviam atendido
17.300 pessoas, das quais 7 foram diagnosticadas com a gripe suína,
segundo o ministro da Saúde, José Ángel Córdova. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |