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México não
se preparou para crise |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
3 de maio de 2009
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CIDADE DO MÉXICO Pérez ao menos
tem uma máscara cirúrgica. No início da tarde de
sexta-feira, o pastor Homero Hernández circulava pela loja de departamentos
Liverpool, no centro da cidade, com a mulher e três filhas adolescentes,
todos sem máscaras. "Temos posto mais atenção
em lavar as mãos", disse o pastor de uma igreja presbiteriana
de Texcoco, no leste da capital. "Achamos que está muito exagerado
o bombardeio de informação. Convivemos com muita gente,
e não conhecemos ninguém que tenha a infecção." As máscaras
são distribuídas por soldados nas ruas. A displicência
de muitos mexicanos contrasta com o rigor quase paranoico do governo,
que mandou parar todas as atividades não essenciais. O zelo parece
tardio. Em resposta a apelos da Organização Mundial da Saúde
(OMS), no calor da gripe aviária, o governo mexicano traçou
em 2006 um Plano Nacional de Resposta a uma Pandemia de Influenza. De
acordo com o jornal Reforma, o plano previa que o país dispusesse
de 5 milhões de medicamentos antivirais este ano. Ao reconhecer
a epidemia, há dez dias, o Ministério da Saúde encontrou
1 milhão desses medicamentos em estoque, dos quais já distribuiu
600 mil. O México também
não seguiu outra recomendação da OMS, de 1999, para
que os países criassem laboratórios de vacinas. Segundo
o jornal El Universal, o país desmantelou em 1977 dois institutos
nacionais, o de Higiene e o de Virologia, criados em 1956 e em 1960, respectivamente,
que atendiam a 90% da demanda por vacinas. Hoje, a Birmex, que ficou em
seu lugar, produz apenas 2 das 12 vacinas do esquema básico de
vacinação. O jornal cita o Brasil como exemplo , por ter
buscado a autossuficiência com base em um plano elaborado em 1998. Há uma semelhança,
no entanto, entre Brasil e México: ambos combinam desastrosas redes
de saúde com hospitais públicos de referência de primeira
linha, como o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São
Paulo, e o Instituto Nacional de Doenças Respiratórias (Iner),
na Cidade do México. Na tarde de sexta-feira, os familiares de
pacientes de gripe suína que esperavam na frente do Iner para a
visita diária de meia hora só tinham elogios ao hospital. "Daqui não
me queixo", disse Diana Fuentes, cujo marido, de 35 anos, está
há 19 dias numa unidade de terapia intensiva, entubado e sedado.
Seu filho de 3 anos, com sintomas de gripe, está sendo tratado
com antibióticos, enquanto aguarda o resultado de exames. "Fomos
atendidos por psicólogos e infectologistas, e meu marido está
melhorando", conta Diana. Os sintomas começaram há
três semanas e meia. Ele foi o sexto diagnosticado com a nova doença
no Iner. O marido de Diana
pagou 30 pesos (R$ 5) para passar com um clínico-geral numa rede
privada de ambulatórios populares, que nada resolveu. Passou pelo
Hospital-Geral, do Estado, e depois de 20 minutos foi mandado para casa.
"A rede pública está nefasta", resume Diana. Passou
ainda por um médico particular, que diagnosticou pneumonia. "Ele
tomava antibióticos e só piorava", lembra a mulher.
"Tinha dificuldade de respirar e seus lábios e unhas ficavam
roxos." O Iner faz uma triagem socioeconômica. Como o casal
está desempregado, o tratamento é gratuito. O pedreiro Rodrigo Hernández e seu irmão, também pedreiro, ganham 4.300 pesos (R$ 717) cada por mês e tiveram de pagar até agora mil pesos (R$ 167) pelo tratamento de sua mãe, de 70 anos, internada na terça. Mesmo assim, estão contentes: "Ela está tendo um atendimento muito bom." Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |