|
Vírus da
gripe não é 'tão agressivo', avalia ministro da Saúde
do México |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado,
2 de maio de 2009
|
|
CIDADE DO MÉXICO De acordo com o ministro,
houve uma estabilização na procura de serviços médicos
e de internações na Cidade do México - que concentra
a maior parte dos casos. "São dados alentadores, que nos fazem
pensar que, felizmente, o vírus não é tão
agressivo." Nenhum paciente morreu na capital entre a noite de quinta
e a manhã de ontem, o que levou o governador do Distrito Federal,
Marcelo Ebrard, a cogitar rever as medidas drásticas que adotou,
de fechamento de bares e restaurantes. O governador está sob forte
pressão dos representantes do setor - que diz ter um prejuízo
diário de US$ 100 milhões - para voltar atrás. O ministro da Saúde
afastou a possibilidade de decretar uma quarentena (isolamento) do país.
Ele considerou que as medidas necessárias foram tomadas. O governo
emendou dois feriados - o Dia do Trabalho, ontem, e o aniversário
na terça-feira da Batalha de Puebla (vitória mexicana contra
forças de ocupação francesas, em 1862) - para mandar
fechar todas as atividades econômicas não-essenciais por
cinco dias. Em tese, deveriam ficar funcionando apenas hospitais, farmácias,
supermercados, restaurantes (só para entregas a domicílio),
postos de gasolina, serviços bancários e telecomunicações.
Mas ontem havia lojas
de departamento e de roupas abertas no centro da Cidade do México.
Em contrapartida, a maioria dos restaurantes fechou. O setor alega que
entregas a domicílio representam só 2% de seu movimento.
Até nos hotéis os restaurantes estão fechados. O
café da manhã e demais refeições são
servidos no quarto. O objetivo é conter aglomerações
de gente. A comida, incluindo o porco, do qual se originou a doença,
não a transmite, mas apenas a saliva. Soldados do Exército
distribuem máscaras cirúrgicas (chamadas de "cobrebocas")
todas as manhãs nas ruas da Cidade do México. Segundo o
governo, foi distribuído 1,3 milhão. Mesmo assim, menos
da metade dos transeuntes no centro da capital traz máscaras -
e muitos as tira e pendura no pescoço. Na periferia, o uso cai
para cerca de um quinto. O governo disse ter distribuído também
250 mil antivirais. Três caminhões do Exército com
caixas de medicamentos doados pela China chegaram ontem ao Instituto de
Doenças Respiratórias. A ajuda chinesa soma US$ 5 milhões. Apenas um laboratório
é capaz de analisar casos de influenza humana no México,
ao ritmo de 200 por dia. Parte das amostras está sendo enviada
para os Estados Unidos e o Canadá. Até a quinta-feira, uma
semana depois do reconhecimento da epidemia pelas autoridades, apenas
679 amostras haviam sido analisadas. Dessas, quase a metade - 312 - deu
resultado positivo. Naquele momento, o Ministério da Saúde
admitia 2.955 suspeitas de influenza humana. A Secretaria da Saúde
promete capacitar outros cinco laboratórios nos próximos
dias. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |