|
ONG capacita jovens na maior favela do mundo |
|
|
LOURIVAL
SANTANNA |
Domingo,
3 de Agosto de 2008
|
|
LAGOS Akposionu candidatou-se a uma das quatro vagas de vendedor de cosméticos, oferecidas pelo Projeto Ajegunle.org, destinado a capacitar jovens de uma das maiores favelas do mundo, com 3 milhões de moradores. Dirigida por dois engenheiros eletrônicos, a ONG ensina os jovens de Ajegunle a usar computadores e a montar planos de negócios, e ainda busca estágios para eles em grandes empresas. Se Akposionu for selecionado,
receberá uma motocicleta e uma sacola de produtos da linha Tura,
da inglesa Lornamead, para vender de porta em porta. "É impressionante
que ele ainda queira trabalhar", anima-se Gbenga Sesan, de 30 anos,
diretor da ONG. "Na idade dele, seus amigos que deixaram a escola
e não conseguiram emprego vão ganhar dinheiro com crimes
na internet." Boa parte das falcatruas distribuídas por e-mail pelo mundo - como "gerentes de banco" propondo investimentos mirabolantes com heranças sem dono - é originária da Nigéria. "As pessoas de fora pensam que todo mundo em Ajegunle é marginal. Queremos dar vazão ao empreendedorismo desses jovens", aposta Ugochukwu Nwosu, de 27 anos, gerente do programa, que cresceu aprendendo com o pai, empresário em diversos ramos. "No escritório,
ficaram surpresos de ver que tem gente decente em Ajegunle", conta
Abazu Debby Chidimma, de 22 anos, estagiária na Lornamead. O projeto não tem patrocinadores, mas oito parceiros, entre eles as empresas DHL e Virgin Atlantic e a Embaixada Britânica, para os quais encaminha estagiários, que recebem R$ 162 de ajuda de custo. Depois de empregados ou de abrir o próprio negócio, os beneficiados devem pagar 10% de sua renda durante dois anos ao projeto, além de treinar outros cinco jovens. "Queremos multiplicar a capacitação por toda Ajegunle", dizem Sesan e Nwosu. Até aqui, 106
jovens já receberam treinamento, e hoje se dedicam às mais
variadas atividades. Nathanael Osiri, de 24 anos, ganha R$ 203 por mês
com uma fábrica caseira de desinfetantes. Vivian Felix, de 20,
fatura R$ 108 com suas bijuterias. Adefunke Joan Alao, de 18, começou
vendendo cartões de chamada; agora oferece linhas telefônicas
e tira R$ 271 por mês. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |
| Anterior |