Fim do apartheid não traz igualdade

O presidente sul-africano, Frederik de Klerk, cumpriu sua promessa de derrubar os pilares jurídicos do apartheid ainda neste semestre;


Deixam de vigorar hoje as leis da segregação da terra e dos bairros. Na sexta-feira, De Klerk ratificou a abolição da Lei do Registro da População – que tornou possíveis as outras, pois impunha a classificação racial de todo sul-africano ao nascer.

A dinâmica da economia sul-africana, o movimento negro e as pressões internacionais tornaram o apartheid insustentável. Mas a noção de superioridade branca que está por trás do sistema se confunde com a própria história da África do Sul. E o fim dessas leis não significa a igualdade entre as raças.

De acordo com o jornal Le Monde Diplomatique, somente uma parte das terras estará destinada à venda para agricultores negros. Além disso, o preço médio de uma fazenda é de 600 mil rands (Cr$ 56 milhões), enquanto o salário médio de um lavrador negro é de 12 rands. As leis segregacionistas foram abolidas, mas em seu lugar ficaram dispositivos especiais de proteção da minoria branca. Uma democracia multirracial na África do Sul depende de uma nova Constituição, que dê o mesmo poder de voto para todas as raças. Entretanto, a violência nos guetos negros e a desconfiança entre o Congresso Nacional Africano (CNA), de Nelson Mandela, e o governo, conduziram as negociações a um impasse.

As pesquisas indicam que De Klerk conta hoje com o apoio de 25% dos negros. O presidente já abriu seu Partido Nacional à participação negra, e espera aumentar esse apoio. De Klerk manobra para eliminar as sanções internacionais, que emperram a economia sul-africana, sem abrir mão do poder.

Esses fatores fazem acreditar que o mais difícil ainda está por vir.


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