Presidente faz lobby em licitação de US$ 5 bi

Brasil quer que Vale do Rio Doce tenha o controle sobre todo o projeto de exploração de carvão, porto e ferrovia

MAPUTO, Moçambique – O Brasil propôs a Moçambique uma mudança no modelo de licitação para o complexo de Moatize, o mais ambicioso empreendimento do país, que atrairá investimentos da ordem de US$ 5 bilhões. Em princípio, o governo moçambicano pretendia licitar separadamente a exploração da mina de carvão, a construção da rodovia e do porto. O governo brasileiro pediu para juntar os três projetos num único consórcio, e gostaria que a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), talvez com a participação da Construtora Odebrecht, disputasse o contrato.

“Se dependesse da minha vontade pessoal, as empresas brasileiras fariam tudo sozinhas, explorariam o carvão e o alumínio e fariam a ferrovia”, disse Lula, durante entrevista coletiva ontem, ao lado do presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, no palácio do governo em Maputo. “Vou conversar com o Roger (Agnelli), presidente da Vale do Rio Doce, para saber que papel ela pode ter aqui.”

De acordo com o secretário de Minas e Metalurgia, Giles Azevedo, os brasileiros argumentaram que a ferrovia sem o carvão não terá carga suficiente e o carvão sem a ferrovia não terá como escoar. Os moçambicanos ficaram de estudar a proposta brasileira, que implicaria a realização de um estudo de viabilidade econômica, levando de 12 a 18 meses para ser concluído.

Quanto ao alumínio, a CVRD tem estudos para instalar em Mozal, no Vale do Rio Zambeze, um smelter, para fazer a fusão da alumina, matéria-prima do alumínio, vinda do Brasil, aproveitando a abundância de energia elétrica na região. Consórcio envolvendo a australiana BHP, a japonesa Mitsubishi, a sul-africana IDC e o governo moçambicano já realiza essa operação, fundindo em Moçambique alumínio trazido da Austrália. O Brasil produz 18 milhões de toneladas de alumínio por ano e tem interesse em usar a energia barata de Moçambique. A usina de Mozal, com apenas 500 mil toneladas de alumínio por ano, responde por metade de todas as exportações de Moçambique e consome 900 megawatts, quase a metade de toda a energia gerada no país.

Entre os 13 convênios firmados ontem pelos dois países, há um na área de geologia e transformação mineral, pelo qual a Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM) ajudará Moçambique a organizar sua produção mineral, em que predominam o garimpo artesanal e o contrabando. No caso do ouro, por exemplo, a produção oficial é de apenas 40 quilos por ano, enquanto o governo estima que a clandestina atinja meia tonelada. O Brasil produz 44 toneladas por ano.

Segundo o secretário Azevedo, Moçambique tem potencial para se tornar um produtor de “classe mundial” de titânio, zircônio e rutilo, metais pesados para ligas de alta resistência. O CRPM vai ajudar os moçambicanos a pesquisar e avaliar os depósitos. Ao mesmo tempo, reunirá inteligência sobre os recursos minerais de Moçambique, para futura referência de eventuais investidores brasileiros.

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