Garcia e argentino não se reuniram com Evo Morales

Helicóptero que os levaria a Cochabamba foi usado na rota de fuga do presidente

 

LA PAZ – Numa amostra da seqüência dramática de acontecimentos ontem na Bolívia, os enviados dos presidentes do Brasil e da Argentina, Marco Aurélio Garcia e Eduardo Sguiglia, não puderam ir encontrar-se com o líder indígena Evo Morales em Cochabamba, como estava previsto, porque o helicóptero em que viajariam, da presidência (o único no país), estava sendo usado pelo presidente Gonzalo Sánchez de Lozada e a primeira-dama, Ximena, na sua rota de fuga para Santa Cruz de la Sierra.

Garcia e Sguiglia vieram tentar mediar o conflito. “O Brasil quer ajudar a contribuir para evitar mais derramamento de sangue”, explicou Garcia, sem entrar em detalhes sobre o conteúdo das conversas que teve. A imprensa local havia noticiado que Morales não queria receber os enviados, mas Garcia disse que o encontro estava de pé. Ontem à noite, tentavam contato telefônico com o líder indígena.

O deputado Jorge Ledesma, do Movimento ao Socialismo (MAS), partido de Morales, e que estava com o líder indígena ontem à noite, disse ao Estado que ele não pôde falar com Garcia ao telefone porque estava em reuniões. Mas ressaltou que a visita dos emissários era bem-vinda.

Ao chegar num avião da presidência argentina, por volta de 10h30 locais (11h30 em Brasília), os dois representantes foram direto para a residência oficial do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada. A conversa durou cerca de uma hora.

Seguiram para a casa do vice-presidente Carlos Mesa e, de lá, para o escritório de Manfred Reyes Villa, líder da Nova Frente Republicana, que havia acabado de pedir ao presidente que renunciasse, retirando-se da coalizão. “O Brasil é nosso vizinho mais forte, tem grande identificação com a Bolívia e pode acalmar a crise e evitar mais derramamento de sangue”, disse Reyes, repetindo as palavras de Garcia.

Os dois enviados também não puderam se encontrar com o outro integrante da coalizão, Jaime Paz Zamora, dirigente do Movimento de Esquerda Revolucionária, que no horário combinado estava reunido com o presidente. Conversaram pelo telefone. Garcia e Sguiglia estiveram, também, com o núncio apostólico da Bolívia, Ivo Scapolo.


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