Se for desse jeito, não vou votar

Caminhoneiro que estava em frente ao local do atentado perdeu sentidos com impacto da explosão.

 

CABUL – Era 1 da tarde. O caminhoneiro Samiullah, de 32 anos, tinha acabado de almoçar e estava no seu caminhão, numa área de estacionamento na qual os caminhões aguardam a inspeção fiscal, na saída para Jalalabad, a principal cidade do leste, a 150 km de Cabul. “De repente, ouvi um forte ‘bang'”, contou Samiullah ao Estado logo depois do atentado, com a sua shalwar kameez (a bata e calça largas típicas dos afegãos) rasgada e manchada de sangue. “Desmaiei. Quando recobrei os sentidos, vi três corpos no chão e entre seis e sete caminhoneiros feridos.” Os vidros estilhaçados do caminhão de Samiullah cortaram suas duas mãos, enfaixadas numa farmácia próxima.

Pelo menos no que se refere a Samiullah, o Taleban parece ter alcançado seu intento. À pergunta sobre se comparecerá na eleição de amanhã, o caminhoneiro, ainda um pouco atônito, não hesitou: “Se for desse jeito, não vou votar. Esse tipo de ataque vai acontecer no dia da eleição.” Ao lado do estacionamento de caminhões, há um terminal de ônibus urbanos, o que explica o grande número de civis atingidos.

A maioria das vítimas foi levada para o hospital Wazir Akbar Khan, a cerca de 2 quilômetros do local. O médico Mohammed Rahim Akbari disse que quatro pessoas chegaram mortas, seus corpos completamente carbonizados. Outros 30 feridos estavam no hospital. Entre eles, havia um menino, Abdur Rahman, de 11 anos, que trabalha numa loja perto do local do atentado, e teve o braço esquerdo enfaixado. Seu irmão, de 17 anos, era um dos três feridos em estado grave. 

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