ONU adverte para falta de alimento

ISLAMABAD – O escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) no Paquistão advertiu ontem para o risco de um desastre humano no Afeganistão.

 

De acordo com os funcionários da ONU, cerca de 5 milhões de afegãos – um quarto da população do país devastado pela seca e pelas guerras – dependem do suprimento de comida pela organização. Esse suprimento foi comprometido pela suspensão dos vôos da ONU ao Afeganistão, devido ao fechamento do espaço aéreo pelo Taleban, e pela retirada dos funcionários estrangeiros do país.

“Milhões de pessoas enfrentarão uma grave escassez de água e comida se não pudermos fornecê-las”, disse Stephanie Bunker, porta-voz do escritório da ONU no Afeganistão, durante entrevista coletiva na capital paquistanesa. Os 700 funcionários de nacionalidade afegã continuam no país, além de outros 4.800 que atuam como colaboradores. Segundo Stephanie, “eles estão tentando fazer o que podem, mas também têm famílias para cuidar”.

A crise deverá causar uma escalada no número de refugiados, que hoje somam 1 milhão de pessoas. Um número indeterminado de famílias está deixando as grandes cidades e as regiões de conflito entre a guerrilha do Taleban e as forças que resistem ao regime fundamentalista, no norte, centro e oeste do Afeganistão, e indo, como podem, para as fronteiras do país.

Portas fechadas – Entretanto, os países vizinhos fecharam as entradas para os que não têm vistos válidos, formando bolsões de refugiados ao longo da fronteira. Cerca de 15 mil entraram ilegalmente nos últimos dias, a maioria no Paquistão e uma pequena parte no Irã.

Os funcionários fizeram um apelo para que o Paquistão e o Irã abram canais “oficiais” de passagem para os refugiados, já que eles estão tentando passar por trilhas clandestinas através da longa e porosa fronteira afegã, dificultando o trabalho de assistência da ONU. O Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas está negociando com o Paquistão a possibilidade de abrigar parte deles nos campos existentes ou em novos campos.

O porta-voz do Alto Comissariado, Yussuf Hassan, informou que 25 caminhões partiram ontem de manhã do Paquistão para o Afeganistão, com materiais de acampamento, como tendas, tanques e cobertores. A organização está pedindo aos doadores que intensifiquem a ajuda.

Somente dos Estados Unidos, estão a caminho 65 mil toneladas de comida e outras 100 mil toneladas devem ser despachadas. À pergunta sobre se essa comida poderia estar indo para os combatentes de Osama bin Laden, acusado de ter perpetrado os ataques contra os EUA, Bunker respondeu apenas: “Achamos que estamos fazendo o que é certo ao levar a comida para quem precisa mais.”

Existe neste momento no Afeganistão estoque de comida para três semanas. De acordo com Khaled Mansour, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos, é normal a ONU manter apenas um mês de estoque no Afeganistão. Os países vizinhos contam com estoques de suprimentos para abastecê-lo. O problema é fazer chegar essa comida nas áreas rurais montanhosas e remotas.

 

Não há caminhões nem infra-estrutura e os aviões são o meio mais eficaz.

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