Presidente polonês diz que não espera subsídio alto

Declaração, ao lado de Fernando Henrique, afasta potencial foco de atrito com Brasil

 

VARSÓVIA – Afastando um potencial foco de atrito nas relações com o Brasil, o presidente da Polônia, Aleksander Kwasniewski, disse ontem que não espera que a agricultura de seu país venha a ser beneficiada pelos mesmos níveis de subsídios agrícolas hoje destinados aos países da União Européia, no caso de ser aceito como membro do bloco. A afirmação, feita durante entrevista coletiva conjunta, agradou o presidente Fernando Henrique Cardoso, ferrenho opositor do protecionismo agrícola europeu — o maior entrave, do ponto de vista brasileiro, para o avanço das negociações comerciais com a Europa e com os Estados Unidos.

“É claro que esperamos receber subsídios, mas é impossível que seja nos mesmos níveis”, reconheceu o presidente, prevendo que a Política Agrícola Comum (PAC) terá que ser revista. O setor agrícola é a fonte de renda de 27% da população economicamente ativa da Polônia, país de 38 milhões de habitantes. Na França e nos outros países mais desenvolvidos da Europa Ocidental, esse índice gira em torno de 5% ou menos. O eventual ingresso da Polônia e de outros países do Leste Europeu, que têm um perfil econômico similar, é apresentado, pela Alemanha e por outros defensores da revisão da PAC, como um dos sinais da insustentabilidade dessa política.

“O fato de a Polônia estar entrando na União Européia vai ser bom, porque vai levar à reavaliação das políticas agrícolas, não contra a Polônia ou qualquer outro país, mas em favor dos países em desenvolvimento”, entusiasmou-se Fernando Henrique, falando, mais tarde, a uma platéria de 148 executivos poloneses e 54 brasileiros, num fórum empresarial. 

 

“Nossa resposta à política de subsídios é aumentar nossa produtividade para torná-la cada vez mais cara para os países que a sustentam”, alertou o presidente, assinalando que, de 1991 a 2000, a produção brasileira de grãos saltou de 56 milhões de toneladas para 100 milhões, sem ampliar a área de plantio. “Entendemos que é impossível cortar subsídios de uma hora para outra, mas poderíamos chegar a um meio termo.” O Brasil e a Polônia negociam um acordo fito-sanitário e outro zoo-sanitário, que abriria caminho para o comércio de carne e de produtos agrícolas.

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