‘No próximo ano ainda haverá recessão’

Mesmo com medidas para estimular economia, PIB da Inglaterra encolhe

 

LONDRES

Na tentativa de reestimular a economia e aumentar as exportações, o governo emitiu moeda, causando a desvalorização da libra. A atual cotação, € 1,07, é 29% menor que o pico de janeiro de 2007. A taxa básica de juros foi reduzida em 0,5 ponto no dia 5 de março, ficando em 0,5% – a mais baixa em três séculos. Como resultado, a inflação bate em 3,2%, quando a meta é de 2%. 

O Banco da Inglaterra refinanciou o equivalente a US$ 422 bilhões em dívidas hipotecárias; criou um instrumento de compra de ativos para socorrer as empresas de US$ 110 bilhões, dos quais US$ 31 bilhões já foram usados; o programa de resgate de bancos soma US$ 81 bilhões e as garantias de depósitos, outros US$ 38 bilhões. Ainda assim, o PIB encolheu 1,5% no primeiro trimestre deste ano, em relação ao anterior, quando já havia caído 1,6% – maior queda desde 1980. 

“A crise ainda vai durar um bom tempo, porque há muito o que desenrolar no setor financeiro”, diz o economista John Kay. “No próximo ano, ainda haverá recessão. A idéia de uma retomada geral em um ou dois anos é bastante improvável.” Kay critica as medidas do governo. “É muito mais importante estimular a economia que sanear os bancos”, acredita. “Os conglomerados financeiros estão na raiz do problema na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, e o governo os está apoiando para que continuem o que vinham fazendo.” Na opinião do economista, as instituições insolventes “deveriam ser recriadas como bancos de varejo, para fazer as coisas normais que os bancos faziam tradicionalmente”, ou seja, emprestar dinheiro para as atividades produtivas.

 

Um alto executivo do Citigroup em Londres discorda. Para ele, a culpa pela crise não é só dos bancos, mas também do governo. Ele lembra que o primeiro-ministro Gordon Brown era ministro da Fazenda no período em que se formou a bolha do sistema financeiro. “Ele é o principal culpado por ter deixado o problema crescer. Agora, quer desviar a atenção”, diz o executivo. Ele teme um ciclo de inflação alta. “O governo criou cerca de 30 mil empregos públicos. Gastou dinheiro como um marinheiro bêbado.” Tudo indica que a ressaca está só começando. 

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