FHC discute comércio e ‘terceira via’ na Suécia

ESTOCOLMO — O presidente Fernando Henrique Cardoso inicia hoje à noite na Suécia uma viagem de seis dias, que incluirá também a Polônia e a Eslováquia.

 

É a primeira vez que um presidente brasileiro visita esses três países. Haverá de tudo nesse giro de Fernando Henrique: reunião de cúpula de governantes social-democratas, discussões bilaterais sobre comércio e investimentos e até uma passagem por Cracóvia, para visitar a catedral da qual o papa João Paulo II foi cardeal.

Fernando Henrique participa, no sábado, da terceira reunião de cúpula sobre “governança progressista”, o nome dado à corrente política que busca uma terceira via, conjugando o liberalismo econômico com preocupações na área social. Este ano, farão parte da Cúpula Progressista de Estocolmo 13 chefes de Estado e de governo, entre eles os primeiros-ministros da Grã-Bretanha, Tony Blair, da França, Lionel Jospin, e de Portugal, Antonio Guterres, o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, e o presidente chileno, Ricardo Lagos.

O Brasil é o quarto maior mercado para a Suécia, que está entre os 11 maiores investidores no País. Há 180 empresas suecas no Brasil, que vendem no País 7 bilhões de euros por ano. O estoque de investimentos dessas empresas — que incluem gigantes como Ericsson, Electrolux, Scania, Volvo e AGA, — é hoje de US$ 3 bilhões e, segundo a Câmara de Comércio Sueco-Brasileira, deve incorporar mais US$ 1 bilhão nos próximos cinco anos.

O grupo sueco Saab, fabricante dos aviões JAS Gripen, concorre, em consórcio com a British Aerospace, na licitação da Força Aérea Brasileira para a compra de 12 a 24 caças, no valor de US$ 700 milhões.

Balança — Por outro lado, o Brasil tem interesse em melhorar sua balança comercial com a Suécia. No ano passado, o Brasil exportou US$ 175,2 milhões, principalmente em café, partes para aviões e telefones celulares, e importou US$ 811,7 milhões, sobretudo em partes para telefones celulares, para veículos automotores, para motores a diesel e para radiotransmissores.

O ingresso da Suécia na União Européia, em 1995, obrigou o país a adotar gradualmente as barreiras alfandegárias do bloco, dificultando as exportações agrícolas brasileiras. “Tínhamos um regime agrícola bem mais livre”, reconheceu ao Estado um diplomata sueco. Ao lado da Alemanha, da Grã-Bretanha e da Holanda, a Suécia defende mudanças na Política Agrícola Comum, condição brasileira para a liberalização do comércio entre o bloco europeu e o Mercosul.

Fernando Henrique se reúne amanhã com o primeiro-ministro Göran Persson e com o empresário Jakob Wallenberg, presidente do maior conglomerado sueco. O presidente aproveitará também para aparar arestas com o primeiro-ministro do Canadá, Jean Chrétien, que vem para a reunião de cúpula, e com quem Fernando Henrique mantém bom relacionamento pessoal.

O presidente embarca no domingo para a Polônia, onde se reunirá, na segunda-feira, com o presidente Aleksandr Kwasniewski. Com a Polônia, os principais interesses são a venda de aviões da Embraer para a companhia aérea LOT, que já comprou 15 jatos da empresa brasileira, e a exportação de carnes. Devem ser assinados um acordo fitossanitário e outro zoo-sanitário, abrindo caminho para uma rotina de inspeções nos dois países.

Seminário — Já a Companhia Vale do Rio Doce, cujo presidente, Roger Agnelli, virá para um seminário empresarial em Varsóvia, tem interesse em participar de projeto de modernização do Porto de Gdansk. O Brasil exportou no ano passado para a Polônia US$ 168,2 milhões e importou US$ 105,3 milhões.

O volume de comércio entre Brasil e Eslováquia, aonde o presidente chega no fim da tarde de terça-feira, é modesto — US$ 11,7 milhões no ano passado. Mas o governo brasileiro encara o país como possível plataforma para a expansão das exportações na Europa Central.

Aproveitando sua mão-de-obra qualificada e relativamente barata, a Empresa Brasileira de Compressores (Embraco), a maior fabricante mundial desses componentes para refrigeração, montou fábrica em 1999 no leste da Eslováquia.

 

O presidente eslovaco, Rudolf Schuster, tem um interesse especial pelo Brasil: seu pai, Alojz, realizou uma expedição fotográfica pela Amazônia em 1927 e ele próprio publicou três livros sobre o País.

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