Soldados libaneses entram em combate

Pela 1.ª vez, militares se juntam ao Hezbollah para combater comandos israelenses, durante incursão em Tiro

BEIRUTE – Pela primeira vez em 24 dias de conflito, o Exército libanês se envolveu ontem em combate com forças de Israel, lutando lado ao lado com guerrilheiros do grupo xiita Hezbollah. O confronto ocorreu na madrugada de ontem , depois que israelenses desembarcaram num vilarejo ao norte da cidade portuária de Tiro, no sul do Líbano. Um soldado libanês morreu e um tanque do Exército foi destruído. Israel afirmou ter matado “pelo menos quatro terroristas” do Hezbollah, que por sua vez não informou suas baixas.

As Forças Armadas israelenses informaram que um soldado foi morto e outros 21 ficaram feridos em combates no vilarejo de Aita al-Saab, sul do Líbano. Os militares israelenses foram resgatados de helicópteros.

O objetivo da operação, segundo Israel, era destruir bases de lançamento de foguetes de longo alcance do Hezbollah. Da região de Tiro, segundo Israel, saiu o foguete que atingiu a cidade de Hadera, 75 quilômetros ao sul da fronteira com o Líbano, o alvo mais distante já atingido pelo Hezbollah. O Exército disse que o Hezbollah já disparou mais de 3 mil foguetes contra o norte de Israel.

A operação começou por volta de meia-noite, com aviões e helicópteros israelenses sobrevoando a região de Tiro. Do solo, foram ouvidos disparos de artilharia antiaérea. Em seguida, as aeronaves israelenses dispararam bombas de iluminação e lançaram pelo menos quatro mísseis ao norte de Tiro, metralhando também outros acessos à cidade e, segundo Israel, atingindo posições do Hezbollah. O bombardeio deu cobertura para o desembarque dos comandos. Militares libaneses já haviam sido mortos por bombardeios israelenses, mas ainda não se tinham engajado nos combates.

Apesar da presença do subsecretário de Estado americano para o Oriente Médio, David Welch, Beirute voltou a ser sacudida ontem pelos bombardeios israelenses no sul da capital, onde se concentra a população xiita. Não há informações sobre mortos. Israel afirmou que os ataques foram contra escritórios, um depósito subterrâneo de armas e um jornal do Hezbollah.

Dezenas de vilas no sul do Líbano seguiram ontem sob bombardeio de aviões e navios israelenses. As Forças Armadas de Israel informaram ter atacado mais de 70 alvos entre a noite de sexta-feira e a tarde de sábado. Os bombardeios, que segundo a polícia libanesa foram os piores desde o início do conflito, servem para apoiar a ofensiva israelense por terra. E tentar inibir a ação do Hezbollah, que na sexta-feira lançou 200 foguetes contra Israel. Ontem, novos ataques com foguetes do grupo xiita mataram três árabes israelenses na Galiléia. O conflito já matou 734 libaneses e 78 israelenses.

Panfletos em árabe advertindo a população para fugir imediatamente foram lançados pelos israelenses sobre a cidade de Sidon, de maioria sunita, a maior do sul do Líbano, situada ao norte do Rio Litani, entre Tiro e Beirute. Mas, como nos outros casos, a população civil não reagiu. Afinal, Israel tem bombardeado tudo que se move no Líbano. Ontem, por exemplo, dois homens numa moto foram mortos por um míssil ar-terra perto de um campo de refugiados palestinos no sul.

Antes do amanhecer, Israel voltou a atacar uma estrada que liga o Líbano à Síria. Os ataques, segundo Israel destinados a cortar as linhas vitais de abastecimento de armas e munições da Síria para o Hezbollah, deixaram 28 mortos no leste do Líbano na sexta-feira, quando Israel bombardeou três pontes na principal rodovia entre os dois países. Agora, o percurso tem de ser feito dando a volta pelo norte da Síria e depois descendo pela costa do Líbano. O Estado fez ontem o trajeto. Uma viagem que era de 160 quilômetros e se fazia em 1h15, agora tem 350 quilômetros e consome 5h30.

Publicado em O Estadão. Copyright: Grupo Estado. Todos os direitos reservados.

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