No Líbano, xiitas torcem por Assad

 

BEIRUTE – Um cartaz do aiatolá Ruhollah Khomeini, o líder da revolução iraniana, demarca a entrada do bairro xiita de Haret Hreik, no sul de Beirute.

Os prédios destruídos nos bombardeios israelenses de 2006 deram lugar a novos edifícios, alguns deles ainda em fase de acabamento. Aqui, no reduto do Hezbollah, grupo guerrilheiro e ao mesmo tempo partido político, o levante na Síria causa angústia.

“Não sabemos se Bashar Assad é bom ou não para os sírios, mas é importante para o Hezbollah, porque lhe permite cruzar a fronteira, receber dinheiro e armas do Irã através da Síria”, explica Mohamed Fakih, de 33 anos, dono de um café no quarteirão onde antes dos bombardeios ficava o quartel-general do Hezbollah – cuja localização agora é segredo. 

“O Hezbollah diz que temos o mar, Israel e a Síria. Tudo passa pela Síria. Não podemos sobreviver sem ela”, continua Fakih. Ele se surpreende com a pergunta sobre se gosta do Hezbollah: “Claro! Se não, não poderia estar aqui.” Rapazes de roupas pretas e motocicletas patrulham a área. São homens do Hezbollah, que só no início do ano passou a permitir a entrada da polícia no bairro, porque o general cristão Michel Aoun, seu aliado, postula o cargo de ministro do Interior em um gabinete em negociação.

“De um lado, estão os Estados Unidos, a Arábia Saudita e Israel. De outro, o Irã, a Síria, o Hezbollah e o (grupo palestino) Hamas”, analisa Hussein Zarakit, de 47 anos, dono de uma loja de ferragens. “Estão tentando isolar cada parte. Quando terminarem com a Síria, virão sobre o Hezbollah, depois o Hamas. Então o Irã estará sozinho, cercado.” Ele admite que possa existir descontentamento popular na Síria: “Há pobreza, salários baixos, opressão sobre o povo. Mas esse não é o verdadeiro motivo.”

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