Opositores são presos por ‘macular prestígio’ sírio

 

BEIRUTE – Centenas de pessoas foram presas nos últimos dias na Síria sob a acusação de “macular o prestígio do Estado”. A pena para esse “crime” são três anos de prisão.

A informação é da entidade americana de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch. Essa acusação foi usada no passado contra os inúmeros presos políticos do país. Há dissidentes presos sem julgamento nem acusação formal há muito mais tempo na Síria – alguns desde que Hafez Assad, pai do atual presidente, Bashar, assumiu, em 1970.

A síria Nadim Houry, do Human Rights Watch, afirmou ontem que o número de prisões disparou nos últimos dias, e que houve uma mudança no perfil dos presos. Tem havido mais prisões de mulheres e menores de idade, parentes de manifestantes contra o regime. Numa primeira fase, os agentes de segurança iam de casa em casa e levavam embora os homens. Segundo Nadim, a repressão abrange mais de 25 cidades e povoados do país. 

A rede de TV Al-Jazeera afirma que a jornalista Dorothy Parvaz, enviada a Damasco na sexta-feira, desapareceu ao desembarcar no aeroporto da capital síria. O escritor reformista Omar Koush teve o mesmo destino ao desembarcar em Damasco na segunda-feira.

Ammar Qurabi, dirigente da Organização Nacional para os Direitos Humanos na Síria, afirmou na terça-feira que mil pessoas foram presas desde sábado, nas buscas casa a casa. “As detenções transformaram a Síria numa grande prisão”, disse o ativista à Associated Press.

Uma das coisas que mais chamam a atenção, além dos maus tratos e do tempo que os sírios ficam presos sem acusação formal, é o caráter aparentemente gratuito de muitas detenções. O Estado ouviu na sexta-feira em Walid Khaled, do lado libanês da fronteira com a Síria, o relato de um lavrador solto havia quatro dias, depois de ficar dez meses na prisão sem saber por que havia sido detido. O homem de 32 anos contou que sofreu choques elétricos e golpes nas costas, e que os agentes da prisão ameaçavam estuprar sua mãe e sua irmã.

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