UE reage a aumento da repressão síria

Europeus proíbem viagens de líderes e anunciam embargo de armas e equipamentos que possam ser usados em ataques à população

 

RAMALLAH

Enquanto a escalada militar de repressão ao movimento contra o regime sírio se intensificava ontem, a União Europeia (UE) anunciou um “embargo de armas e equipamento que possa ser usado para repressão interna”. A UE também baniu viagens de 13 pessoas ligadas ao regime sírio e bloqueou seus depósitos bancários, de acordo com um comunicado divulgado pela Associated Press.

A escalada militar na Síria aproximou-se ontem da capital. O Exército isolou a cidade de Muadhamiya, na periferia oeste de Damasco. Disparos de artilharia pesada foram ouvidos e nuvens de fumaça, vistas sobre a área. A informação foi dada por ativistas de direitos humanos ouvidos pela BBC. Canhões de artilharia são usados normalmente contra tanques e aeronaves, mas na Síria, assim como na Líbia, eles têm sido empregados contra pessoas. A eletricidade e telefonia foram cortadas em Muadhamiya, como tem sido o padrão das incursões do Exército sírio. Os jornalistas não recebem visto de entrada na Síria e a cobertura do conflito, que já dura sete semanas, é feita por meio de relatos de testemunhas.

De acordo com um ativista, pelo menos 3 pessoas foram mortas, um grande número ficou ferido e cerca de 200, presas. “As forças militares e de segurança têm usado força letal contra o povo na cidade, e querem prender pessoas específicas, líderes dos protestos”, disse o militante. Soldados e tanques ocupam as principais ruas de Muadhamiya em frente às mesquitas de Al-Rawda e Al-Omari. Franco-atiradores estão sobre edifícios altos, informaram sites de ativistas sírios. Os soldados estão averiguando a identidade das pessoas que tentam sair da cidade. 

Tiros também foram ouvidos perto de Darayya. Assim como Muadhamiya, Darayya fica perto da base aérea de Mezze e do quartel de Exército de Sumariya. O Exército continua também esmagando os protestos em Homs, no oeste do país, e em Banias, na costa. Segundo relatos, mais tanques entraram em Homs, a terceira maior cidade do país, onde soldados estão fazendo buscas nas casas e realizando prisões desde sábado.

Um morador afirmou que a cidade está sendo dividida pelas forças de segurança em áreas, para evitar a realização de protestos de massa. Ele disse ter ouvido disparos de tanques e de fuzis, vindo da periferia da cidade, que também está sem eletricidade e telefonia celular. 

Já em Deraa, no sul do país, onde os protestos começaram há sete semanas e foram mais intensos, o Exército começou a se retirar ontem, depois de “completar sua missão detendo elementos terroristas”, anunciou a TV estatal. 

 

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, 553 civis e 105 soldados e agentes de segurança foram mortos desde que o conflito começou, no dia 18 de março. Centenas de pessoas foram presas.

 

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