No mausoléu de Ataturk, turcos reagem com frieza à visita

‘De acordo com nossa crença, Deus fará o melhor para castigá-lo’, diz estudante de 22 anos sobre a citação do papa acerca de Maomé

 

ANCARA

Do aeroporto, o papa Bento XVI foi diretamente para Anitkabir – literalmente, “o lugar onde o líder dorme”. Sobre uma das colinas mais altas de Ancara, ali está o mausoléu de Mustafa Kemal Ataturk, que fundou a Turquia moderna em 1923 depois da derrocada do Império Otomano na 1.ª Guerra Mundial. Ele depositou uma coroa de flores no seu túmulo, com os dizeres “Papa Benedicto XVI”. E, no livro de visitas, escreveu uma frase de Ataturk (ou “Líder dos Turcos”): “Paz no país, paz no mundo.”

Com exceção de jornalistas e agentes de segurança, havia poucos turcos no local. Suas reações à presença do papa variavam da simpatia à hostilidade, passando pela indiferença. “Estamos felizes de ver o papa aqui, viemos por ele e por Ataturk”, disse Nilgen Gulcar, de 52 anos, uma dona-de-casa de classe média de Ancara. “Nosso Deus é um só. Por que deveríamos brigar?”, perguntou seu marido, Burhan, de 61.

“Como muçulmano, espero que o papa faça um apelo pela paz entre as duas religiões”, declarou o sargento reformado Messut Olgaç, um sargento reformado de 87 anos. “Qualquer mal-entendido pode levar a uma guerra. Sou militar, mas não quero guerra.”

“Estou aqui por causa do mausoléu de nosso Ataturk, não do papa”, disse Suleiman Simsek, de 22 anos, funcionário de uma empresa americana e estudante de administração. “Ele é apenas um líder cristão, não representa nada para mim.” Sobre a citação crítica ao profeta Maomé que o papa fez em setembro, Simsek foi sucinto: “De acordo com nossa crença, Deus fará o melhor para castigá-lo.”

 

“Viemos visitar o mausoléu”, disse Hakki Alttun, de 45 anos, agricultor da região de Karsi, no sudeste da Turquia. “Sabíamos que o papa estaria aqui, mas, como nosso governo disse que ele era bem-vindo, achamos que não havia problema em virmos”, continuou o agricultor, ao lado de sua mulher, com o tradicional lenço islâmico na cabeça. “Ele merece respeito, desde que respeite nossa religião. Não deviam falar mal de nossa religião, se nós respeitamos a religião deles”, concluiu Alttun, afastando-se rapidamente, enquanto agentes de segurança se aproximavam para repetir ao repórter do Estado que estavam proibidas entrevistas na área do mausoléu.

 

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