|
Brasil e Igreja terão papel decisivo n crise |
|
| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
17/3/1998
|
|
ASSUNÇÃO - A Igreja pode cumprir um papel decisivo na crise. Essa é a opinião de Gerardo Le Chevallier, diretor da filial paraguaia do National Democratic Institute (NDI), organização americana que presta assistência a partidos, governos e tribunais eleitorais, monitora eleições e emite pareceres sobre sua legitimidade. Em entrevista exclusiva ao Estado, o salvadorenho Le Chevallier realça também a importância do Brasil na superação do impasse. Fundado há 12 anos, o NDI tem escritórios em 30 países. Estado - Como você vê a situação da democracia no Paraguai? Gerardo Le Chevallier - Acho que está caminhando bem. É uma transição e, portanto, era de esperar que houvesse sobressaltos. O Paraguai tem a sorte de estar tendo uma transição sem sangue, sem movimentos guerrilheiros importantes. Isso não quer dizer que as superestruturas políticas - o Partido Colorado, as Forças Armadas, certos setores do capital e os setores de capitais obscuros, chamados de capitais de fronteiras, dedicados ao narcotráfico, ao contrabando e outros - vão deixar que isso passe sem problemas. O que está em jogo é a possibilidade de mudança dos que administram o sistema político e a concepção do Estado como instrumento para enriquecer os que o manejam, versus o Estado como instrumento de serviço para a comunidade. Estado - Como o sr. avalia o papel do Brasil? Le Chevallier - O Brasil é maior do que o resto da América do Sul. De certa forma, tem na América do Sul a mesma responsabilidade que os EUA no resto do mundo. Não me cabe julgar a política externa do país. Mas me parece importante que respalde a transição. Globalização é compartilhar um futuro, benefícios e prosperidade. Somos sócios, mesmo que não queiramos, com ou sem Mercosul. Estado - No Paraguai, quando estará concluída a transição? Le Chevallier - Não sei, mas acho que é notável o progresso na independência do Judiciário. Estado - Ainda não houve transmissão de cargo pacífica entre presidentes de partidos diferentes... Le Chevallier - Nunca. Falta muito para que se conclua a transição. Mas ela tem dado passos importantes, como o pacto de governabilidade (de 1993, que divide os cargos proporcionalmente à votação no Senado), que permitiu a participação da oposição no Estado. O conceito não pode ser que, quem tem a maioria absoluta, tem 100% do poder, como era antes. Não é correto dizer que havia bipartidarismo. Houve épocas de domínio absoluto dos liberais e épocas de domínio absoluto dos colorados, mas nunca, como agora, bipartidarismo. Estado - E a Igreja, pode desempenhar um papel importante? Le Chevalier - A Igreja é a instituição de maior credibilidade do Paraguai. Esse foi o resultado de uma pesquisa que fizemos Com a Igreja não dá para tergiversar. Eles vão sentar-se à mesa e, daí, terá de sair uma resposta plausível. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |