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Lugo pede perdão
e nega renúncia |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Sábado,
25 de abril de 2009
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ASSUNÇÃO "Sou um ser humano
e portanto nada humano me é alheio", disse Lugo, lendo um
texto preparado, antes
de responder às perguntas, no Palácio de López, sede
do governo. "Ao mesmo tempo em que peço perdão, quero
ratificar que minha versão será sempre a verdade. Na tempestade
de alusões sobre a minha pessoa, resolvi responder com prudência,
o que não é a mesma coisa que ocultar informações.
Um por um, responderemos cada caso." Até agora,
Lugo, de 57 anos, assumiu a paternidade apenas do filho de 1 ano e 11
meses de Viviana Carrillo, com quem, segundo ela, manteve um relacionamento
de 10 anos, iniciado quando ela tinha 16. Outras duas mulheres, a camelô
Benigna Leguizamón e a professora Damiana Morán, afirmam
ter filhos com o presidente. As três crianças foram concebidas
quando Lugo ainda não tinha sido liberado pelo Vaticano do "estado
clerical", o que inclui o celibato. No caso do filho de Benigna,
de 6 anos, ele ainda era bispo de San Pedro, província no centro
do país. "Nunca esteve
em meu ânimo prejudicar ninguém, menos ainda um filho menor
nem mulher alguma", disse Lugo. "Estarei sempre disponível
aos requerimentos esclarecedores da Justiça. Interessa-me responder
às pessoas concretas para que saia à luz a realidade."
O presidente atribuiu sua atitude a práticas enraizadas no país:
"Eu, pessoa humana e imperfeita, fruto de processos históricos,
perfil da minha cultura, assumirei, com todas as responsabilidades presentes
e futuras, as situações que me concernem." Lugo garantiu que
será, a partir de agora, um pai atencioso: "Quando a verdade
nos acompanhar plenamente, verão este presidente como um pai disposto
a proporcionar afetos e cuidados." Ele prometeu também promover
um "dramático esforço de ações de governo
em favor da maternidade, da infância e das mulheres". À pergunta
de um jornalista sobre se renunciaria ao cargo, Lugo garantiu que não.
"Os mais de 800 mil paraguaios que depositaram sua confiança
na mudança merecem que ela não se detenha", disse ele,
assegurando que só entregará o cargo em agosto de 2013,
quando termina o seu mandato. Por causa do escândalo, o presidente
cancelou uma viagem que faria ontem a Washington, para pedir ajuda financeira
ao Banco Mundial. No seu lugar, foi o ministro da Fazenda, Dionisio Borda.
"Quero dar a
maior tranquilidade possível ao povo paraguaio diante dos rumores
de algum suposto plano de desestabilização ou de conspiração",
disse o presidente. "Os que cobiçam o poder, que fazem intrigas
debaixo da mesa, podem esperar sentados até que o tempo chegue
para ingressar no poder pela única porta da frente, a vitória
legítima de eleições livres, como fizemos em 20 de
abril do ano passado." O senador Alfredo
Jaeggli, do Partido Liberal, que apóia o governo, pediu ontem a
renúncia do presidente. Ele propôs que o vice-presidente,
Federico Franco, de seu partido, assuma convocando um "pacto com
a oposição para promover um processo de transição
e terminar com o plano de Lugo de levar o país ao socialismo do
século 21 de Hugo Chávez". Franco reiterou ontem
que não vai aproveitar os escândalos de paternidade para
pedir a saída de Lugo. Apoiado por pequenos partidos de esquerda,
Lugo tem como principal sustentação no Congresso o Partido
Liberal, de Franco, com o qual se aliou para derrotar os colorados, que
estavam no poder havia 61 anos. Lugo, no entanto, tem se aproximado de
uma ala do partido contrária a Franco, o que levou a um distanciamento
entre o presidente e o vice. Ambos estão em negociação
para se reaproximar, o que deve resultar em cargos no governo para aliados
de Franco. Na entrevista de ontem, Lugo admitiu que deve substituir alguns
ministros, depois de uma reforma na semana passada que privilegiou liberais
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