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Terceiro suposto
filho de Lugo complica situação do ex-bispo |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Quinta-feira,
23 de abril de 2009
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ASSUNÇÃO Damiana Morán,
de 39 anos, militante de esquerda como Lugo, afirmou ontem ter um filho
de um ano e quatro meses com o presidente. Ao contrário das outras
duas mães, no entanto, ela disse que não entraria com ação
de reconhecimento da paternidade nem exigiria pensão alimentícia.
"Não preciso de ajuda", disse Damiana, dona de uma creche.
Ela é divorciada há cinco anos e tem dois filhos do primeiro
casamento, um de 21 e outro de 19. Segundo Damiana, Lugo
não sabia, até segunda-feira, quando ela o procurou, que
era pai de seu filho. Ela diz que decidiu divulgar o fato "em nome
da verdade", depois do surgimento de outros casos, e de ter tido
conhecimento da lista de seis outras mulheres que reivindicariam o reconhecimento
da paternidade de seus filhos por Lugo. A lista não incluiria Damiana
nem as outras duas mulheres que já afirmaram ter tido filhos com
o presidente. Segundo Damiana, o advogado de Lugo, Marcos Fariña,
disse-lhe que o presidente reconheceria a paternidade de seu filho. Lugo, de 58 anos,
foi bispo de San Pedro até janeiro de 2005, quando o Vaticano aceitou
sua renúncia. Mas continuou como sacerdote até dezembro
de 2006, quando deixou a batina para se lançar à presidência.
A camelô Benigna Leguizamón, de 25 anos, entrou ontem com ação de reconhecimento de paternidade contra Lugo na Vara da Infância e da Adolescência de Ciudad del Este. Benigna reuniu-se na terça-feira em Assunção com Fariña, que lhe propôs que os exames de DNA fossem feitos "em privado". Ela recusou, temendo "manipulação" dos resultados. Seu advogado, Seong Je Park, pediu a realização de dois testes, um no Paraguai e outro no Brasil, para confrontar os resultados. O filho de Benigna
tem seis anos. Ela diz que o relacionamento com o então bispo de
San Pedro começou em maio de 2001, quando ela tinha 18 anos, e
foi pedir ajuda à igreja. Benigna já era mãe solteira
e não tinha assistência do pai de seu primeiro filho. Acabou
tendo outro com Lugo, que lhe dava, segundo ela, 50 mil guaranis (cerca
de US$ 10) por semana, até terminar o relacionamento, em outubro
de 2003. De lá para cá, não recebeu mais nada, afirma
Benigna na ação. Ela diz que o filho telefonou uma vez ao
pai para lhe pedir uma bicicleta. Lugo prometeu o presente, mas não
cumpriu. Benigna afirma que
se sentiu encorajada a denunciar Lugo depois que ele reconheceu, no dia
13, a paternidade de outro menino, que completa dois anos no mês
que vem. Sua mãe, Viviana Carrillo, de 26 anos, contou que o relacionamento
com Lugo começou quando ela tinha 16 anos, e o bispo frequentava
a casa de sua madrinha. O jornal Última Hora informou ontem que
Viviana e o menino passaram a ocupar uma casa que Lugo herdou dos pais
no bairro de Lambaré, em Assunção. A senadora Lilian
Samaniego, líder do Partido Colorado, de oposição,
entrou na terça-feira com ação contra Lugo, para
investigar se o caso se enquadra na lei que considera "estupro"
a sedução de meninas de até 16 anos por homens acima
de 18. Os simpatizantes de Lugo, incluindo a própria Damiana, consideram
as duas primeiras denúncias parte de uma "conspiração"
contra o presidente. Na segunda-feira,
durante a celebração do primeiro aniversário do governo,
simpatizantes do vice Franco gritavam "presidente" para ele.
O vice não foi convidado a subir no palanque. Na véspera,
sem consultar Franco, Lugo substituiu três ministros liberais aliados
a ele por seus adversários dentro do partido. Franco, cujo partido
de centro-direita se aliou às correntes de esquerda lideradas por
Lugo na eleição do ano passado, pondo fim a uma hegemonia
de 61 anos do Partido Colorado, considerou que, com o gesto, o presidente
o está "empurrando para a oposição". Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |