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Escândalo
forçará Lugo a fazer concessões |
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| LOURIVAL
SANTANNA Enviado especial |
Domingo,
26 de abril de 2009
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ASSUNÇÃO Mas, neste momento,
esse passo não parece interessar nem aos liberais nem aos colorados.
Nos últimos dias, Franco negou reiteradamente a intenção
de apoiar um julgamento político de Lugo, ao mesmo tempo em que
negociava com o presidente cargos cobiçados no governo, como a
direção da Hidrelétrica de Yacyretá, da estatal
Petropar e da Alfândega, além de ministérios. Num
sinal de que deve ceder, Lugo admitiu, na sexta-feira, que haverá
novas mudanças no governo. Isso
depois da substituição, na semana passada, de quatro ministros,
incluindo o único vinculado a Franco, que reclamou sentir-se "empurrado
para a oposição". A sequência de escândalos
parece ter mudado a percepção de Lugo sobre a importância
de seu vice. "Matematicamente,
a destituição é possível, porque se podem
obter os dois terços necessários tanto na Câmara quanto
no Senado", diz o analista político liberal Gonzalo Quintana.
"Mas há um esforço muito grande do governo de assegurar
a adesão plena do Partido Liberal, com a recuperação
do apoio do setor franquista." O resultado é o enfraquecimento
do projeto político de Lugo, que lidera pequenos partidos de esquerda,
sem base no Congresso, e tem de fiar-se nos liberais para governar. Esse cenário
parece interessar mais aos colorados do que a destituição
de Lugo. "Eles preferem um governo desprestigiado de Lugo do que
pôr, com seus votos, um liberal na presidência", observa
Quintana. Congressistas da oposição ouvidos por jornais
paraguaios disseram que Franco substituiria todos os funcionários
colorados por liberais, em razão da disputa histórica entre
os dois partidos. Lugo não fez isso. Além do mais, um governo
Lugo debilitado seria o melhor passaporte para a volta dos colorados ao
poder, em 2013. E a debilitação
é palpável. Pesquisa realizada pelo instituto First Análises
e Estudos logo depois de Lugo assumir a paternidade da primeira criança,
no dia 13, mostrou que 31,9% dos entrevistados passaram a confiar nele
menos que antes. "Esse foi o custo para a credibilidade do presidente",
quantifica Francisco Capli, diretor do instituto. A fatia é formada
sobretudo por mulheres e jovens. "Lamento muito
que um bispo faça isso", diz Vilma Romero, de 24 anos, formada
em administração e funcionária da vice-presidência.
"É muito complicado para mim, porque sou catequista",
explica. "Ele deixou muito a desejar. É uma decepção.
Votei nele, mas não sei se votaria de novo." Na pesquisa, 57,5%
dos entrevistados disseram que continuam confiando em Lugo como antes
e 10,6%, que confiam ainda mais - em razão de ter assumido a paternidade.
"Muita gente está decepcionada, mas, por outro lado, há
uma visão machista segundo a qual isso pode significar até
um certo poder", analisa o sociólogo Alejandro Vial. Ele lembra
que, depois da Guerra da Tríplice Aliança (1864-70), que
dizimou os homens, ter muitos filhos, até mesmo fora do casamento,
era considerado uma virtude patriótica, para repovoar o país.
Ao general Bernardino Caballero, fundador do Partido Colorado em 1887,
eram atribuídos mais de 70 filhos ilegítimos. "Nós sabemos
que há sacerdotes que não se ajustam às imposições
da Igreja", diz o advogado Juan Camilo Pérez, de 50 anos.
"A Igreja tem de descartar o celibato, pois os sacerdotes são
seres humanos. Para ser bom sacerdote e bom presidente, é preciso
ter uma família." Pérez não votaria de novo
em Lugo, mas por outro motivo: "Votamos nele para realizar mudanças,
e até agora não fez nada." Na pesquisa do First, o
descontentamento dos entrevistados é maior com o desempenho gerencial
de Lugo do que com o escândalo. À pergunta sobre se ele preencheu
as expectativas, 30,2% responderam "pouco" e 24,1%, "nada".
Quanto a sua capacidade de tomar decisões, 39% disseram que ele
é "fraco" e 20,1%, "muito fraco". Nesses oito
meses de governo, 37,9% opinaram que ele "fez pouco" e 25,2%,
que "não fez nada". Antes de escolher
um sucessor para Lugo em 2013, no entanto, os paraguaios terão
eleições municipais no ano que vem. Em suas brigas internas,
os liberais estão disputando posições no partido
para esse pleito. A estabilidade do governo Lugo depende tanto de ele
conseguir acomodá-los no seu governo quanto de parar de aparecerem
filhos do presidente. Copyright © O Estado de S. Paulo. Todos os direitos reservados |